O mundo vive uma pandemia

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou hoje que há uma pandemia de Convid19, reconhecendo – o que já era da percepção geral – de que está em curso uma transmissão recorrente da doença em diversas partes do mundo. É a primeira vez que ocorre uma pandemia causada por um coronavírus, como observou o diretor-geral da OMS, Thedros Adhanom Ghebreyesus. E o que se sabe até agora é que, embora tenha uma capacidade de disseminação altamente veloz, a letalidade deste novo vírus é bem menos letal que variantes semelhantes que provocaram epidemias anteriores.

De acordo com a agência da ONU, o balanço da Convid-19, até o momento da declaração, era o seguinte: 118 mil infectados em 114 países com um saldo de mais de 4200 mortos. No Brasil, o número de infectados que era de 34, enquanto Tedros e sua esquipe emitiam a declaração, subiu para 37. E em poucas horas saltou para 52, ultrapassando a fatídica marca dos 50.

Há um estudo do Instituto Pensi (Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil, do Hospital Sabará), a partir do 50º caso, a epidemia se alastra em ritmo semelhante a outros países. Ou seja: em duas semanas o Brasil pode registrar 4 mil casos e ultrapassar os 30 mil em 21 dias. Situação dramática.

E segundo projeções da própria Organização, os números ainda devem subir significativamente nos próximos dias e semanas pelo mundo afora. O número de casos fora da China, que vê o mal arrefecer nos últimos dias, aumentou 13 vezes nas duas últimas semanas, triplicando o total de países atingidos.

Na sede da entidade em Genebra, onde oficializou o anúncio, Tedros cobrou empenho, alertando que há um “grau alarmante de falta de ação” por parte de alguns governos.

Para o ministro da saúde brasileiro, Luiz Mandetta, que estava na Câmara para detalhar o plano de contenção brasileiro para o coronavírus, a OMS demorou para decretar a pandemia. Segundo ele, isso fez com que alguns países deixassem de seguir protocolos mais rígidos e ver a situação escalando uma espiral dramática – caso da Itália.

Segundo Mandetta, a declaração para o Brasil não muda muita coisa. A diferença agora é que a triagem de passageiros de viagens internacionais deixa de ser restritiva a oriundos de países afetados. Qualquer pessoa que desembarque em território brasileiro vinda de qualquer parte do mundo, e apresente algum sintoma compatível, será considerado suspeita e deverá seguir o protocolo estabelecido.

Ainda no final da tarde, Mandetta anunciou que houve acordo para a liberação de R$5,1 bilhões das emendas do relator do orçamento positivo em favor do combate ao Convid-19.

A questão é: o SUS tem capacidade de atender conter a prevista escalada do vírus? Mandetta admite que haverá sobrecarga do sistema. Mas acena com a capacidade assistencial da Atenção Primária, constituída por 42 mil postos de saúde distribuídos, contando que 90% dos pacientes deverão ser acometidos pela forma mais branda da doença, desafogando assim a estrutura hospitalar.

E na economia, um pandemônio

Se no front sanitário a questão está equacionada – pelo menos no papel –, na seara econômica o coronavírus tem causado um verdadeiro pandemônio. Acompanhando a tendência internacional, a Bolsa paulista já registrava forte queda com o anúncio pela manhã do governo brasileiro rebaixando a projeção do PIB para 2,1% para este ano, enquanto o mercado já havia se encarregado de projetar algo bem abaixo disso. Com a declaração, o Ibovespa derreteu mais uma vez, obrigando nova paralisação depois de outra queda de 10%. Acabou fechando o dia acima dos 7%, e perdendo o que havia recuperado na véspera.

Diante de um organismo debilitado como é a economia brasileira, e vinda de recessão e crescimento insignificante nos últimos três anos, o efeito do coronavírus combinado com o petrovírus saudita pode ser devastador, como preveem economistas de várias tendências, se nada for feito. No plano internacional, muitos apontam para uma recessão iminente, com perda global de até 1 trilhão de dólares, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) – no pior cenário a projeção é de um buraco de até dois trilhões de dólares.  

O impacto por aqui é certo, resta saber o tamanho do abismo. A saída? Muitos pedem medidas emergenciais. Mas com um déficit gigante nas contas do governo o consenso e é de que não há espaço para uma mexida fiscal para fazer a economia voltar a andar. Desbloqueio de teto de gastos? Uma heresia para outros, que acreditam ser um tiro no pé.

Guedes se apega a reformas, reformas, reformas, como se entoasse um mantra. De Miami Bolsonaro até ontem dizia que essa onda toda em cima do coronavírus não passa de fantasia da mídia. De volta a seu cercadinho junto ao Alvorada, o capitão está com a palavra. E aí capitão! O que manda?      

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