Previsão é de 45 mil casos de coronavírus em 4 meses em SP

Encontro no Instituto de Coração (Incor) de São Paulo, reuniu nesta quarta-feira três pesos-pesados da área médica que estão na linha de frente do enfrentamento da epidemia de coronavírus. David Uip, coordenador do Centro de Contingência do coronavírus de São Paulo, Esper Cavalheiro e Marcelo Amato. Na ocasião o grupo fez uma avaliação da situação e analisou diversos aspectos referentes à doença, agora que o país entra na fase de transmissão local da doença – que é quando um paciente é contaminado por outro que adquiriu a infecção fora do país.

Aos médicos presentes, foi estimado que a Covid-19 atinja 45 mil pessoas na grande São Paulo, em um período de quatro meses. Destes pacientes, cerca de 10 a 11 mil necessitarão de internação em Unidade de Terapia Intensiva, o que carrega o quadro de dramaticidade. Já teriam sido disponibilizados 75 leitos do Instituto Central do HC, além de outros tantos do Incor.

Com base na experiência chinesa e de outros países, sabe-se que a chave para o tratamento com sucesso é que o paciente seja submetido o quanto antes à ventilação mecânica. E nessa condição ele deve permanecer por um período médio de três semanas.

Uma vez instalado o vírus, o agravamento do quadro do paciente é rápido, em média de três a cinco dias. As lesões pulmonares provocadas só podem ser identificadas por tomografia computadorizada. Raio x não é capaz de detectar. Já há caso registrado de paciente em São Paulo com alta abortada depois de passar pela contraprova da tomografia.

Em meio às discussões foi lembrado o caos estabelecido no sistema hospitalar italiano pela a falta de vagas na UTIs e aparelhos de ventilação mecânica. Em razão disso, vários pacientes acabaram sendo internados nos próprios centros cirúrgicos capazes de prover estes aparelhos aos mais necessitados. Com isso operações cirúrgicas tiveram que ser canceladas.

No caso da China há registros de alta contaminação a partir de procedimentos feitos com base no improviso, como o uso de fraldas sob as vestes hospitalares para não que o atendente não tivesse que se trocar durante a jornada de trabalho.

Pela previsão do grupo a transmissão entre nós se estenderá por um período por pelo menos 4 meses, a partir de quando a contaminação deverá arrefecer. E tudo está sendo planejado em função dessa variante. Só resta uma dúvida: saber se ação da Covid-19 será mais ou menos virulenta em um país tropical, que deverá entrar o outono registrando altas temperaturas médias.  

No começo da tarde, em coletiva de imprensa, depois de vazar o áudio da reunião, feito pelo vice-presidente do Conselho do Incor, Fabio Jatene, David Uip procurou justificar a estimativa do número de pacientes que necessitarão de internação em UTI feita durante o encontro.

“Isso é decorrente de uma reunião científica que ocorreu ontem no Incor, em que eu fui falar de estratégia do governo do estado e, dentro das estratégias, nós planejamos de 1% a 10% (dos habitantes da Grande São Paulo que pode contrair o vírus) Esse é o cenário”, ele disse. “Duas considerações: primeiro, que isso não se instala imediatamente, e que há a sazonalidade de uma pandemia. Nós não vamos precisar de todos os leitos amanhã. Segundo ponto importante: esta conta de 1% não é em cima dos 26 milhões. Dos 26 milhões você elenca a população a partir de 50 anos de idade. Porque a população abaixo não vai ser internada.”

Deixe uma resposta