Mascarado, o capitão pede pra abortar as manifestações dia 15

Bolsonaro pediu pra abortar as manifestações a favor do governo no dia 15. O pedido foi feito em sua live semanal para as redes sociais ao final de um dia de pânico no mercado financeiro mundial e no qual a Bolsa brasileira teve a sua maior queda desde 1998. Bolsonaro apareceu de máscara ao lado de Mandetta, o ministro da saúde, em caso classificado como suspeito, depois que seu secretário de comunicação, Fabio Wajngarten testou positivo para o novo coronavírus. Wajngarten embarcou na comitiva que esteve nos Estados Unidos no fim de semana com Trump. Hoje, no começo de tarde, o resultado de seu próprio teste foi publicado na página da presidência: negativo.

Uma ironia: não dá pra deixar de observar que a máscara se ajustou bem à fantasia que, segundo o capitão, a mídia escolheu para tratar a disseminação do vírus. O clima da transmissão era bem diferente da euforia com que Bolsonaro foi ao Twitter em dezembro passado comemorar a valorização máxima do Ibovespa na história e a queda do menor risco Brasil em sete anos. Dessa vez, decidiu tangenciar o buraco da bolsa que já perdeu1,5 trilhão neste ano com os desdobramentos da crise. E justificou reclamando que tem o orçamento “engessado”.

O capitão mais uma vez preferiu falar só para os seus. Alegando que uma manifestação de rua nessa altura não seria uma boa opção diante do que ele antes achava que não passava de fantasia, Bolsonaro disse que um “tremendo recado” já estava dado, referindo-se à pressão que só o ensaio geral da convocação havia exercido sobre o Congresso e STF.

Esqueceu-se de dizer que que estão programados atos contra seu governo. Um, na véspera, para lembrar os dois anos do assassinato de Marielle Franco, ainda sem solução.  E outro no dia 18, convocado por centrais sindicais, grupos feministas e UNE. A CUT confirmou que mantém a chamada pra botar o bloco na rua.

Já Guedes Posto Ipiranga, pressionado em apresentar medidas emergenciais capazes de mitigar os impactos da crise, e anunciou um pacotinho de cinco medidas, mirando o pessoal da terceira idade, que está concentrado na faixa mais vulnerável ao vírus. Entre elas, o adiantamento da primeira parcela do 13°, suspensão de prova de vida por 120 dias e redução de juros do empréstimo. Além disso, confirmou o

além confirmar o acerto de 5 bilhões para a área de saúde. incluindo o de aposentados e pensionistas de o INSS por 120 dias, redução de juros do empréstimo consignado além de confirmar a liberação de 5 bilhões para a área de saúde.

Da Câmara Rodrigo mandou avisar que até agora o movimento no Posto Ipiranga até agora não produziu “quase nada” que possa encarar a crise no curto prazo. E em entrevista para a Folha tratou de “desenhar” a questão: Como fica a indústria automobilística com alta do dólar e baixa de venda? Vai haver desemprego na aviação? E o turismo comprometido com contratos futuros, o setor entretenimento em recesso. Como fica tudo isso?,   perguntou. Guedes reagiu dizendo que “medidas virão em 48 horas”. Demorou. No mundo financeiro um dia de alívio geral. Às 15h o Ibovespa cravava valorização de 10,07%, alternando altas e baixas, em movimento de gangorra semelhante a bolsas europeias e americana. Até aquela hora pelo menos o mundo sonhava poder dormir em paz no fim de semana.

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