Uma corrida contra o coronavírus. Na Gália 50 a.C.

Extraída da saga original dos geniais Albert Uderzo e René Gosciny, a ficção dos quadrinhos reinventa o pesadelo vivido hoje pelo planeta. Na história criada por Jean-Yves Ferry e Didier Conrad e publicada em 2017, os heróis Asterix e Obelix disputam uma corrida de bigas com os romanos representados pelo vilão Coronavírus. E vencem, claro.

Por Marta Leite Ferreira, do Observador.

É mais uma profecia sobre uma luta contra um coronavírus. Depois de descoberto um livro de terror em que o principal inimigo era um novo vírus desta família, descobriu-se também num livro de Astérix e Obélix os heróis da saga a entrarem numa corrida contra uma personagem chamada… Coronavírus.

Astérix e Obélix decidem juntar-se à corrida depois de um adivinho ter previsto que Obélix poderia tornar-se brevemente num campeão de corridas de cavalos. Os dois gauleses abandonam tudo, compram uma carroça de madeira e roubam dois cavalos aos romanos para participarem na corrida.

Ora, o atleta com que mais têm problemas, e que é o preferido à vitória, é um vilão chamado Coronavírus que representava os romanos. Na história de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, os autores da obra, Coronavírus abandona a corrida depois de saber que Bacillus, o co-piloto, afinal tinha feito batota. E é substituído secretamente por Júlio César, que quer salvar a todo o custo a honra das estradas romanas. No final de contas, o Coronavírus é derrotado. E os bons da fita ganharam.

Claro que a história inventada por Jean-Yves Ferri e Didier Conrad nada tem a ver com a epidemia de Covid-19 que está a espalhar-se pelo mundo desde o final de dezembro. O verdadeiro coronavírus está longe de abandonar a corrida da vida real, uma vez que o número de infetados continua a aumentar.

Além disso, “Coronavírus” não é o nome deste surto, mas sim de uma família de vírus que engloba o Covid-19, mas também o SARS-CoV, por exemplo. O facto de terminar com o sufixo “-us” encaixa nas regras da escrita dos livros de Astérix e Obélix, em que os nomes dos gauleses terminam sempre com “-ix” e os nomes dos romanos acabam em “-us”.

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