A calamidade brasileira

Reprodução Glonews

Já vivemos em estado de calamidade pública. Oficialmente, desde esta quarta-feira, quando a Câmara aprovou pedido do Planalto para decretá-la, diante da escalada da disseminação provocada pelo coronavírus – e de um monstruoso impacto econômico. Na prática, porém, vivemos em calamidade desde que o capitão Bolsonaro tomou posse, com sua verborragia contagiante. Se há um top 5 da piada pronta, essa ilustra bem o país atual.

Matéria ainda sendo votada na Câmara e Bolsonaro convoca coletiva de imprensa. Para quê? Bom, além de anunciar o projeto, Bolsonaro pretensamente postou-se para falar à sociedade sobre a gravidade do momento. E tentou passar a ideia sintonia entre os três poderes no combate à pandemia – tentou até porque Davi Alcolumbre, outro testado positivo pelo coronavírus, e Rodrigo Maia, em sessão na Câmara, estiveram ausentes.

Para isso apareceu com máscara cirúrgica, seguido pelos outros nove ministros à mesa. A justificativa oficial foi de que o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque havia contraído o vírus – outro que embarcou na comitiva presidencial pra os Estados Unidos –e com quem parte dos presentes havia se encontrado na véspera.

Mas o capitão apressou-se em dizer que não descumpriria “qualquer orientação sanitária por parte do senhor ministro da saúde. Eu dou o exemplo”, disse, sob a máscara, o que fez com que a fala, sublinhada pelo adereço, adquirisse um genuíno tom farsesco.

Confrontado pelos jornalistas, o capitão defendeu-se das críticas por ter estimulado e participado das manifestações de domingo, apelando para o seu aguçado senso populista. “Estive ao lado do povo sabendo dos riscos que eu corria. Mas nunca abandonarei o povo brasileiro, para o qual eu devo lealdade absoluta.”

Desfiando sua habitual fala desconexa, Bolsonaro disse que o “sinal amarelo” da ameaça do Covid19 acendeu para o governo desde a repatriação dos brasileiros da China (que ele relutou em liberar) e admitiu a extensão e os impactos da doença, para em seguida dizer que ainda enxergava uma histeria na divulgação do mal – para sobressalto de Mandetta que estava a seu lado. De quebra, cotejou os panelaços da véspera (contra e a favor), para convocar suas milícias para uma nova rodada daí a algumas horas.

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