A direita nacionalista a reboque da pandemia

Não demorou para que ditadores de plantão botassem as asas pra fora. Com a janela aberta pela contaminação acelerada da Covid19, governos nacionalistas de diversos matizes têm encontrado terreno fértil para impor seu ideário e fechar progressivamente o regime.

De Genebra, o colunista da Uol Jamil Chade informa que o primeiro ministro húngaro Viktor Orban enviou ao parlamento pedido de autorização para ampliar o estado de emergência vigente e governar por decretos. Caso aprovada no congresso, a lei garantiria a Orban, instalado no poder há uma década, o poder de decisão sobre toda e qualquer matéria –incluindo a prorrogação do estado de emergência até quando fosse necessário, segundo sua própria interpretação. A minoria oposicionista resistiu num primeiro embate, mas Orban promete voltar à carga.

A cartada de Orban vem na esteira de outros movimentos da extrema-direita europeia, que passou a se mexer com mais desenvoltura a partir da adoção de medidas de força tomadas por países democráticos do bloco para tentar conter a propagação do vírus. A principal delas foi o fechamento das fronteiras, bandeira antiimigração defendida por várias lideranças nacionalistas, como o próprio Orban, que vê na imigração o principal vetor de transmissão do mal.

O erguimento de barreiras, visto por globalistas como o sociólogo Domenico De Mais, como cínica e infantil, agora é usada como propaganda política. “O globalismo está entrando em colapso”, disse em tom de triunfo Laura Huhtassari, deputada nacionalista finlandesa do Parlamento europeu. Outros sinais de que há um avanço de medidas restritivas aos direitos individuais e à atuação da própria imprensa – às vezes de maneira insidiosa, outras abertamente coercitiva – têm pipocado em diversos países, como na Turquia de Erdogan, no Egito de al -Sisi e na própria China, que demorou pra admitir a existência do novo vírus em seu território.

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