O desatino do capitão. Até quando?

As notícias começaram a circular já no final da manhã. Nova onda de stress, suspense, incredulidade, movimento nos bastidores. A única dúvida era quanto ao contexto em que a iminente demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde se dava. Segundo a Agência O Globo, a exoneração – já decidida pelo capitão Messias e confirmada por dois assessores palacianos, seria publicada em edição extra do Diário Oficial da União, após reunião com todos os seus ministros, inclusive Mandetta.

Quem em sã consciência convoca uma reunião ministerial para demitir um ministro? Diria que ninguém, mas não estamos tratando com um ser normal, como temos verificado no curto tempo de seu mandato. Então o capitão estaria planejando perfilar a representação ministerial e depor Mandetta a toque de caixa e com toda desonra e pompa que o momento exige?

O rumor repercutiu rápido e o panelaço já começou a comer solto logo no meio da tarde em sintonia com a grita nas redes sociais. A notícia surgia na sequência de uma pesquisa do Datafolha dar 76% de aprovação a Mandetta. O capitão não engoliu. Já no domingo, em ameaça velada, o capitão já havia anunciado a alguns de seus seguidores na porta do Alvorada que alguns integrantes de seu governo tinham virado “estrelas”, que estavam “se achando”, e que não teria “medo em usar a caneta.”

O cozimento, que se delineava em banho-maria, a partir daí passou a grau de fritura em fogo alto. Mas tão rápido quanto aqueceu esfriou com a intermediação apaga-incêndio da ala militar, que fez ver ao capitão o óbvio: caso a situação saísse de controle com a demissão e o fim do isolamento proposto, a conta seria debitada em suas costas. Logo, Mourão apareceu para anunciar a permanência e Mandetta.

Certo está Rodrigo Maia em apostar que o capitão não usaria a caneta contra Mandetta.” Fica tranquilo. Conheço (o capitão) já faz um ano e ele não vai demitir um ministro popular”, teria dito a assessores palacianos, segundo a Folha. E chegou a ironizar a ameaça. O que era então? Balão de ensaio para de disputa política? Raiva por Mandetta ter aparecido na live da dupla sertaneja Jorge e Mateus, como ironizou o próprio Maia? Não é de se duvidar.

A questão é: que direito tem esse cidadão de agravar a crise que vivemos, aumentando ainda mais o nível de stress a que está exposta toda a população? Por uma ambição política vale dinamitar as bases de uma estratégia de combate a uma ameaça mortal traçada por seu próprio governo e de acordo com a quase totalidade da comunidade científica internacional?

Já se falou de tudo – ou quase tudo – da personalidade do capitão. Da perturbação narcísica ao frênesi paranóico-apocalítico com que lida com as questões de fundo da política governamental. O problema é que agora está em jogo a vida de milhares, de centenas de milhares de pessoas. Uma coisa é certa: o capitão não vai desistir. Ele vai caminhar até o impasse absoluto. Até quando o país terá que suportar tamanho desatino? Até quando vamos permitir? Até quando?

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