O petróleo virou fumaça na semana dedicada à Terra

Coisas inimagináveis, até pouco tempo atrás, estão ocorrendo na esteira da pandemia da Covid 19. E com a mesma velocidade de propagação do novo coronavírus. O mundo que já assistira estarrecido os mercados globais despencarem mês passado – em movimento só comparável ao crack da bolsa de 1929 – viu no final de semana passado o preço do petróleo virar fumaça.

Com a paralisação da atividade econômica, em razão do isolamento social imposto em quase todas as partes do mundo, já não há mais espaço para estocagem do óleo que continua a jorrar dos poços de produção, por conta da guerra de preços deflagrada entre russos e sauditas.   

Com isso os preços que já estavam baixa acelerada, desabaram de vez. E os investidores passaram a aceitar o que viesse na mão para se livrarem dos papéis que venciam. Resultado: a cotação do preço do barril do petróleo, negociado na Bolsa de Nova Iorque, fechou na sexta-feira (20), a menos 13 dólares, depois de ter alcançado inacreditáveis 37 dólares negativos.

Isso dá bem a dimensão do impacto provocado pela pandemia. E não deixa de ser irônico observar que o símbolo maior da economia global, a força motriz que tem feito a roda girar desde o século 19, tenha se derretido em questão de dias.

Aos negacionistas do aquecimento global talvez tenha chegado a hora de uma reflexão sobre quão frágil e nefasta pode ser a vida movida a combustíveis fósseis. Não apenas só pelos indicadores econômicos, mas também pelos efeitos deletérios que os gases resultantes da queima desses combustíveis podem provocar e o conseqüente impacto brutal sobre o sistema de saúde. Se há um aspecto positivo que seja no isolamento é o fato de ter uma redução considerável dos gases do efeito estufa.

O momento então é mais do que oportuno. Até porque coincidentemente neste 22 de abril, dia do descobrimento do Brasil se comemora também o Dia Internacional da Terra. Nesta data, há 50 anos, o ativista ambiental e senador americano Gaylord Nelson organizou a primeira manifestação contra a poluição e pela preservação da biodiversidade.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterrez, lembrou a data, observando que mundo poderia estar melhor preparado para responder ao desafio da pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, “um lembrete da vulnerabilidade humana frente a ameaças globais.”

Em mensagem gravada para o mundo, Guterrez propõe um roteiro composto por seis ações relacionadas ao clima para “moldar a recuperação o trabalho que virá” pós-pandemia, como registrou o site da Agência Enolverde. Entre elas, a criação de novos empregos e negócios para uma transição verde, fim de subsídios a combustíveis fósseis e penalização financeira a poluidores e incorporação ao sistema financeiro dos riscos e oportunidades relacionadas ao clima.

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