Em carta, indígenas pedem à OMS proteção à vida

O risco de morte a que estão expostos extratos majoritários das populações urbanas no Brasil, com o avanço da disseminação do vírus e o iminente colapso da rede pública hospitalar, multiplica-se com potencial de dizimação entre as populações indígenas. Foi com base nesse cenário que entidades nativas brasileiras enviaram carta à Organização Mundial de Saúde nesta segunda-feira, pedindo para que a comunidade internacional, particularmente latino-americana, mobilize-se a fim de garantir proteção à vida de seus povos diante da ameaça da pandemia global, além do incentivo à criação de um Fundo Emergencial.

Intitulada Carta dos Povos Indígenas de todo o Mundo, o documento é uma iniciativa da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Povos Indígenas, coordenada pela deputada Joenia Wapichana (Rede-RR) e composta por deputados e senadores, organizações indígenas e representantes da sociedade civil.

O documento cita os tratados internacionais de defesa dos direitos dos povos nativos e lembra de frase proferida há um ano pela então presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Fernanda Espinosa, sobre a “dívida histórica para com os povos indígenas, que representam 15% das pessoas mais pobres do mundo”.

E com base no manifesto feito pela Aliança dos Parlamentares Indígenas da América Latina, o documento elenca três pontos básicos em sua solicitação:

1) que aquelas populações sejam consideradas de maior risco e vulnerabilidade diante da Covid 19.

2) que sejam garantidos segurança alimentar e acesso a as aos serviços de saúde, bem como direitos sociais e previdenciários durante o período de pandemia.

3) que sejam assegurados a participação e o envolvimento de organizações indígenas e de seus representantes no planejamento e implementação das ações de vigilância e enfrentamento da Covid 19. 

De acordo com boletim epidemiológico divulgado ontem (4) pela Sesai (Secretaria Especial da Saúde Indígena), os casos confirmados de contágio entre os indígenas somavam 139, sendo 8 o número de mortos. O Alto Solimões aparecia como a região mais atingida com 72 casos, dos quais 6 não sobreviveram.

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