O capitão e seus cometas no país dos bolsonaretes

O capitão deu novo show ontem de manhã no seu cercadinho. Diante da claque, estrebuchou, mandou repórteres calarem a boca e tudo por uma manchete da Folha, que ele classificou, aos gritos, de “patifaria”, coisa de “canalha”. “Novo diretor da PF assume e acata pedido de Bolsonaro.” O pedido em questão seria a troca da chefia da superintendência de Rio de Janeiro.

Bom, dá pra arriscar que até as carpas do espelho dágua do Palácio do Planalto sabem do interesse do capitão e seus filhos pela PF do Rio. Senão como explicar um sujeito que passa o mandato querendo botar a mão em um órgão de Estado? Segundo mensagens trocadas por whatsapp com Moro, das 27 superintendências da Polícia Federal, o capitão só tinha interesse pela do Rio. Ok, não há interesse. Vamos admitir que seja uma simples tara e por ela Bolsonaro decidiu cortar a cabeça do diretor-geral, Maurício Valeixo e jogar um dá ou desce pra cima do próprio Moro.

Moro. O último surto do capitão tem origem na TPM, com M de Moro, cujo depoimento era aguardado, desde o sábado anterior, no inquérito do STF, que apura as acusações que este fez seu ex-comandante. Mas o que era pra ser um torpedo no meio do casco, bateu como um lexotan nas cabeças do Planalto.

Pelo teor do depoimento Moro parece mais é de tratar de se cobrir de uma eventual bola nas costas de uma por suas relações perigosas com o Planalto, ainda que mantivesse a versão dada em seu tiroteio de despedida do ministério da Justiça. Mas por que então essa sanha do capitão? Melhor perguntar para o presidente, escafedeu-se o ex-supremo juiz de Curitiba.

Como a conclusão foi de que dava pra matar a bola no peito, o próprio capitão voltou, digamos, mais fresco, no fim de tarde ao seu cercadinho de estimação. Desculpando-se pela grosseria da manhã, esgrimiu seu celular para revelar o que seria uma inconfidência de Moro nas mensagens trocadas entre eles de como teria tratado uma questão de Estado.

Como nos piores momentos e Didi, Dedé & Co, Bolsonaro acabou involuntariamente revelando para as câmeras as mensagens só que confirmavam a versão de Moro. E, de quebra, acabou abrindo sua alma antiambientalista, ao deixar implícito seu pedido das cabeça dos diretores do Ibama que ousaram combater o garimpo ilegal na Amazônia. Nada que o caráter e as intenções autocráticas do capitão já não tivessem sido aclarados no curto período de seu inquilinato no Planalto.  

O embate agora é no Supremo. Ali também o efeito ansiolítico parece ter surtido efeito. A ponto de o ministro Marco Aurélio Mello, em entrevista para o Uol, escancarar sobre o que pensa sobre a decisão liminar monocrática de barrar a indicação de Ramagem, o comandante da Abin, para a chefia da PF. “Decisão nefasta do mais novo integrante do Supremo, de desgaste institucional muito grande”. Isso depois de a Corte se fechar corporativamente em copas e saudar Alexandre de Moraes pela determinação.

Na outra ponta, Messias trata de reatar os laços com o Centrão, com uma oferta bilionária de espaços de gestão. O capitão Messias volta, enfim, aos braços seus, depois de um bem ilustrado período negacionista de suas origens. Enquanto isso, o País bate o recorde de 615 de brasileiros abatidos pela Covid19 em 24 horas e alcança o nefasto top seis no ranking mundial de mortes causadas pela doença.

Mas nem parece.

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