Jefferson embarca de metranca na canoa bolsonarista

Emblemática a postagem de Roberto Jefferson em sua conta no Twitter de metralhadora na mão no último sábado (9). “Estou me preparando para combater o bom combate. Contra o comunismo, contra a ditadura, contra a tirania, contra os traidores, contra os vendilhões da pátria”, anunciou, com o slogan do pontificado da extrema-direita no país: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos.”

@blogdojefferson no Twitter

Presidente nacional do PTB e ex-deputado cassado, Jefferson inaugura o que podemos chamar de fase 2 do bolsonarismo no Planalto, quando o capitão Messias reencontra seus antigos pares do Centrão – última trincheira com que espera se manter no poder ao barrar o avanço das forças pró-impeachment.

Jefferson notabilizou-se pela desenvoltura com que transitou na adesão de uma ponta a outra do espectro partidário. Foi o comandante da tropa collorista. Com a queda de Collor, bandeou-se para as fileiras do vice-Itamar Franco, que assumiu; integrou a linha de frente dos governos de FHC e, partir daí, lançou-se na órbita de poder petista, a partir de um aporte generoso de 4 milhões de dólares – que ele mais tarde diria ter recebido como ajuda financeira ao partido trabalhista.

Caiu em desgraça em 2005, quando foi denunciado em um esquema de fraude de licitação dos Correios. Claro, não sem antes mandar o torpedo propulsor do Mensalão pra cima do PT, com a denúncia de compra de votos da base de aliados como ele próprio.  

Excluído da vida parlamentar pela Câmara dos Deputados e condenado pelo STF a 7 anos de reclusão por corrupção e lavagem de dinheiro, chegou a cacifar o governo de Dilma Roussef, a quem emprestou apoio de primeira hora, em 2014. Dilma fez malabarismo para agradecer: “Sem sombra nenhuma de dúvida, Getúlio Vargas é um dos fundadores do Brasil moderno”, discursou. “Mesmo os que querem virar a página do Getúlio não conseguirão porque ele integra a página do Brasil moderno.”

Mesmo fora do Congresso, manteve-se no barco dilmista até que novos ventos de impeachment começaram a soprar e ele se abrigar no porto seguro aberto por Temer. Agora, com a tempestade que se aproxima, Jefferson é convocado para mais uma vez lançar mão da modernidade petebista para tirar o capitão Messias do limbo.

Fiel a seus princípios pragmáticos, Jefferson passou a acenar com uma aliança de primeira com o Planalto após as primeiras conversas com o Centrão. Revelou-se então indignado com os ataques sofridos pelo presidente e a conspiração comandada por Rodrigo Maia para derrubá-lo. Agora, com as negociações em (bom) curso, Jefferson dá as cartas .   “Bolsonaro, para atender o povo e tomar as rédeas do governo, precisa de duas atitudes inadiáveis: demitir e substituir os 11 ministros do STF, herança maldita. Precisa cassar, agora, todas as concessões de rádio e TV das empresas concessionárias Globo. Se não fizer, cai”.

Para delírios autocratas como os do capitão Messias, só mesmo a retórica populismo raíz de representantes da boa e velha República, como Jefferson. O capitão que o conhece bem sabe do que ele é capaz e que pode contar com seu apoio para qualquer pauta medieval que sua mente delirante conseguir desovar. Deve saber, porém, que qualquer desvio de percurso também pode nele despertar os instintos mais primitivos, como certa vez experimentou o ex-capo Zé Dirceu.   

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