As ruínas deixadas pela pandemia e a boiada bolsonarista

As marcas da tragédia causada pela pandemia no Brasil não estão apenas entre as milhares de vítimas. Há um pano de fundo coberto de ruínas deixadas sob a gestão do desgoverno de Bolsonaro. Na área ambiental as marcas de sua passagem já são indeléveis. Uma análise do Observatório do Clima lançado, nesta quinta (21),

O estudo projeta uma elevação nas emissões dos gases de efeito estufa para este ano entre 10% e 20% em relação a 2018, último período em que há registro. Essa projeção vai na contramão das previsões referentes ao restante do planeta, que apontam uma redução de 6% na média. Isso em razão direta do isolamento social imposto em várias partes do mundo, que acarretou uma redução significativa da produção industrial e da quase paralisação do setor de transportes e demais atividades associadas a combustíveis fósseis.

A razão dessa discrepância? O desmatamento, que tem consumido boa parte da Amazônia. Com base na média dos últimos cinco anos de desmatamento no período de maio a julho, o estudo aponta que as emissões provocadas em razão da derrubada da floresta neste ano terão um aumento de 29%. Assim, em ritmo equivalente ao já registrado, a Amazônia pode terminar o ano com uma subtração de 14,5 mil km2 de sua área e emissões de 51% maiores do que há dois anos.  

Como explica Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, a ampliação do desmatamento e das emissões decorrem diretamente do “desmonte dos planos de controle e do estímulo ao crime ambiental”. “O Brasil se tornou uma ameaça ao Acordo de Paris, num momento em que precisamos mais do que nunca avançar na estabilização do clima, para evitar uma outra grave crise de proporções mundiais”, diz ele.

Mas não é só o desmatamento o único vilão nessa história. É de se esperar que o boi gordo no pasto contribua para aumento da concentração do gás metano na atmosfera. Isso dada a queda registrada no abate do rebanho nacional, uma vez que só a pecuária responde por 20% das emissões.  

O estudo registra ainda que o Brasil emitiu 1,9 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente em 2018. E a depender da escalada do desmatamento as emissões podem alcançar a marca entre 2,1 e 2,3 bilhões de toneladas de CO2 – bem acima da meta prevista pelo Acordo de Paris de 1,3 bilhão de toneladas de CO2 para 2025.

Pelo andar da carruagem bolsonarista, podemos esperar pelo quadro mais sombrio. É só verificar o ensinamento do anti-ministro do Meio Ambiente, o capo Ricardo Salles, capado na reunião do último dia 22 d abril, cujo vídeo veio a público nesta sexta (22) por deliberação do ministro Celso de Mello, do STF. “Enquanto (…) a imprensa fala de Covid, (é) ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De Iphan, Ministério da Agricultura, de Meio ambiente…”.

De fato, assim se faz um país. Arruinado.

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