O capital, o desmatamento e o barco bolsonarista

O grande capital resolveu se mexer. Gerentes de fundos de investimentos com carteiras de 3,75 trilhões de dólares (tipo 20 trilhões reais, o correspondente a quase três vezes o PIB brasileiro) pede ao governo do capitão Messias que detenha o desmatamento da Amazônia e proteja as populações indígenas.

Em carta aberta, divulgada nesta terça (22), representantes de fundos da Europa, Ásia e da própria América do Sul expressaram a preocupação de que o governo brasileiro, por trás da crise instalada pela Covid 19, destrua de vez os mecanismos de proteção contidos na legislação ambiental, atentando contra o patrimônio natural e ao próprio capital que gerenciam.  

Os termos do documento são claros: “Estamos preocupados com o impacto financeiro do desmatamento, bem como as violações dos direitos dos povos indígenas, os quais implicam em potenciais consequências para os riscos de reputação, operacionais e regulatórios de nossos clientes e empresas investidas.”  

O documento, mais um entre outros já emitidos pelo capital internacional, surge dois meses após a infame reunião ministerial do dia 22 de abril, na qual o anti-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pontificou com sua tese sinistra da “passagem da boiada”, enquanto a mídia e a tenção da sociedade estavam voltadas para o avanço da pandemia.

E tem como um dos alvos a PL da Grilagem (Projeto de Lei 2633/2020, antiga MP 910), cuja aprovação traria risco à “sobrevivência da Amazônia e o cumprimento das metas do Acordo de Paris, prejudicando também os direitos das comunidades indígenas e tradicionais”, de acordo com os termos da carta.

O cenário não poderia ser mais devastador. Só em maio último, a Amazônia brasileira perdeu 829km², segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. “Queremos continuar investindo no Brasil e ajudar a mostrar que o desenvolvimento econômico e a proteção do meio ambiente não precisam ser mutuamente exclusivos”, alertam os representantes dos fundos.

O negacionista capitão Messias, porém, não parece se importar com os alertas que vêm sendo emitidos com insistência. Deveria. O documento vem a público depois de uma semana de tormenta no front palaciano capaz de fazer água no barquinho do capitão. A prisão de Fabricio Queiróz, no sítio do advogado do clã Bolsonaro, Fred Wassef, que defendia o filho Flavio no processo das rachadinhas quando ainda era deputado estadual, jogou a bomba no colo do presidente.

Messias pela primeira vez teve que baixar a guarda. Enfraquecido junto aos fardados do Palácio com o episódio, que temem os desdobramentos do caso que podem liga-lo não só à corrupção, mas às milícias cariocas, o capitão aparentemente perdeu a muleta de suposto apoio das Forças Armadas para suas ameaças golpistas.

E esse é só início de uma de ofensiva judicial que pode levar ao fim dessa aventura do capitão na presidência, que tem levado o país a uma situação de terra arrasada, não só na área ambiental, mas na Educação, nos Direitos Humanos e na Saúde. Parafraseando Queiróz, o faz-tudo, o capitão está com uma pepa do tamanho de um cometa pra resolver.

Convém lembrar de seu papel na condução – ou melhor, na falta dela – da crise sanitária que já custou mais de 50 mil vidas de brasileiros em números oficiais. O seu desprezo e deboche ficarão pra a história e ele há de responder por isso.     

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