O espasmo conciliatório do capitão é jogo de cena

Bolsonaro pianinho. Alguém pode imaginar uma versão paz e amor do capitão Messias. O termo andou pipocando entre alguns comentaristas políticos nos últimos três dias. A manifestação mais eloquente pra virada – e o que teria justificado o novo figurino com o Planalto decidiu vesti-lo – teriam sido os sinais emitidos pelo capitão em direção ao Congresso e particularmente ao STF.

O principal deles foi a demissão do patético Weintraub do Ministério da Educação. E pra fechar veio então o discurso desta quinta (25) no Planalto, em que o capitão decidiu acenar com “entendimento” entre os Três Poderes.

“O nosso entendimento, sim, em um primeiro momento, é o que pode sinalizar que teremos dias melhores para o nosso país”, disse ele. Para o capitão, “esse entendimento, essa cooperação bem revela o momento que vivemos aqui no Brasil.”.

Não se enganem. Esse espasmo conciliatório tem razão de ser – e certamente um prazo de validade estreito. O capitão está de guarda baixa desde que Queiróz foi descoberto e preso em um sítio de propriedade de Fred. E isso tem potencial de fazer com que ele tenha de encarar de frente a questão das milícias do Rio e ainda ser arrastado pra vala da corrupção por conta por conta das rachadinhas do filho Flavio, o 01.  

Se teve um efeito significativo o episódio da prisão de Queiróz foi o de arrefecer a sanha golpista. Até porque dizer que tem as Forças Armadas estão a seu lado nessa altura soaria com tentativa de arrastar os fardados para o atoleiro em que se encontra.  

“O momento que vivemos” é um dos mais graves da história do país e deve se agravar ainda mais no pós-pandemia, com as sequelas deixadas. O número de mortos cresce vertiginosamente e tudo o que se tem do desgoverno do capitão é desdém com a situação. A cena da Ave Maria, tocada por um sanfoneiro em segundo plano da live semanal do capitão, como forma de homenagear as vítimas da Covid19, teve mais uma vez tom de farsa, tal o descompasso entre fala e imagem do protagonista.

Do ponto de vista institucional, seja o caminho que seguir daqui por diante o desgoverno de Messias Bolsonaro já terá sido uma ruína para democracia. Não só institucional. Retrocessos na área da saúde, da educação, da cultura e ambiental dão a medida da degradação e para o esforço gigantesco para reverter essa política de terra arrasada.

Por isso é preciso manter o foco e estar atento. As forças políticas democráticas devem manter unidade, assim como os setores da sociedade civil e movimentos como Direitos Já precisam manter-se mobilizados e atuantes. Porque o enfrentamento certamente virá.

Como lembrou Gabeira, em sua coluna essa semana, “é preciso intensificar a luta. Quanto menos nos prepararmos para ela, mas difícil será o desfecho.”

É isso aí.

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