Itaipu e o sumiço dos indígenas do mapa

Não é surpresa pra ninguém. Dado o histórico de ocupação das terras da União para fins de ocupação e ou edificação de obras faraônicas para qualquer fim, iniciativas desenvolvimentistas invariavelmente causaram danos populações autóctones e sua cultura.

Agora material inédito confirma a expulsão de indígenas de suas terras pela ditadura militar para que fosse construída a Hidrelétrica de Itaipu – em reportagem do site Repórter Brasil, em parceria com a coluna de Leonardo Sakamoto, do UOL. São mapas e registros cartográficos que mostram como vivia a população avá-guarani naquela região, a oeste do Paraná, de acordo com a análise do professor e pesquisador Paulo Tavares, da Universidade de Brasília, antes da inundação sa área e a edificação da usina.

A documentação está reunida no estudo Atlas do Desterro, produzida a pedido da Câmara de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR), do Ministério Público Federal, encarregada do assunto. Segundo Tavares, houve uma “estratégia perversa” do aparato estatal da época de ocultar o material e a forma com que os indígenas e sua cultura foram sufocados. Trata-se da ideia de sempre de limpar a área: implanta-se a usina e uma nova colonização.

Há uma “evidência fotográfica irrefutável”, diz Tavares, sobre a presença dos indígenas, mas órgãos como o Incra e a Funai, e apropria Itaipu, se apressaram em fazer registros cartográficos situando-os em uma área bem menor do que a real, limando a ancestralidade daquela tribo espraiada pela região.

A questão de fundo é a seguinte. A ex-procuradora da República, Raquel Dodge, havia entrado com ação exigindo condenação de contra instâncias em cascata: União, estado do Paraná, Fundação Nacional do Índio (Funai) Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) e Itaipu Binacional por danos causados aos habitantes originais daquela regional.

 O valor? 150 milhões de reais por ano, a partir da construção de Itaipu, que durou de 1975 a 1982. Façam as contas para avaliar o tamanho da encrenca. Augusto Aras, o atual procurador-geral da República, pediu ao STF, o arquivamento da ação e foi acatado pelo ministro Alexandre de Moraes.

A expropriação daquelas terras, onde se assenta Itaipu, conforme registro da reportagem, foi feita durante o governo do general Garrastazu Médici, e de acordo com programa do Incra foram distribuídos lotes destinados a colonos, invasores e famílias de indígenas.

O Repórter Brasil registra também a nota de Itaipu, segundo a qual, “não houve violação dos direitos dos povos indígenas com a construção da usina e que o reassentamento foi feito de forma rigorosamente legal.” E o Exército não se manifesta em “processos em andamento em outros órgãos.”

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