A polícia política do capitão

Não bastasse o cotidiano de insanidades promovidas por Bolsonaro, agora ficamos sabendo que, desde junho último, seu governo tem à disposição uma polícia política no interior do Ministério da Justiça. A finalidade desse aparato é monitorar opositores do regime, classificados de anti-fascitas. De saída temos aí o autorreconhecimento do caráter deste governo e dos propósitos de seu patrono.

Até aí nada que o senso crítico não possa depreender. Mas a questão é o alcance do que está sendo tramado no interior do Ministério da Justiça, por meio do Seopi (Secretaria de Operações Integradas, conforme revelou o jornalista Rubens Valente, do UOL.

Seria 579 pessoas monitoradas, entre agentes de segurança e formadores de opinião. Seus nomes constam de um dossiê, com fotos, referências e endereços de redes sociais. A medida é de causar perplexidade nessa altura do campeonato, sobretudo pela listagem de certos nomes, como o do antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares, e o acadêmico Paulo Sérgio Pinheiro, relator da ONU, sobre a causa dos direitos humanos na Síria e ex-integrante da Comissão da Verdade, constituída para investigar os atentados contra os direitos humanos que ocorreram durante a durante militar – credencial esta mais do que suficiente para seu nome integrar a lista negra do capitão Messias.

Segundo o UOL apurou, a documentação foi classificada pela Seopi como de “acesso restrito”, o que resguardaria seu sigilo por cem anos e impediria a obtenção de seu conteúdo com base na Lei de Acesso à Informação.

A ideia de um monitoramento de opositores, seja para que fim suspeito for, sugere paranoia, incompetência e vilania, na medida que atenta contra princípio democráticos e o estado de direito. Para combate-la nada faz muito sentido senão a remoção desse cidadão da cadeira que ocupa.

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