O exterminador do futuro contra-ataca

O anti-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, voltou à ofensiva ao defender, em entrevista à CNN Brasil, a flexibilização das regras de mineração para a Amazônia. “Ou encaramos o problema de frente ou vamos continuar com essa discussão estilo avestruz”, disse, apontando para a existência de uma enorme riqueza em seu subsolo.

A declaração de Salles vem depois de uma intensa mobilização contra a nefasta política ambiental do governo brasileiro, protagonizada por representantes de trilionários fundos de investimentos, empresas e bancos brasileiros e multinacionais de diversos setores.  “Pressão sempre vai haver”, desdenha Salles.

Para ele o país vive um “inferno da burocracia”, de regras irracionais, capaz de barrar qualquer desejo de investimento, ainda que seja de um dono de padaria. Exatamente assim: a partir de um paralelo com as mazelas da máquina estatal e sua crônica paralisia burocratizante, o exterminador do futuro tenta construir um modelo desenvolvimentista, que só encontra eco entre os segmentos arcaicos que ele representa.

Nesta semana ficamos sabendo dos números referentes desmonte do aparato de proteção ambiental promovido por Salles, apenas entre março e maio deste ano. Foram 195 atos, parcelados entre decretos, normas e portarias referentes à área ambiental, conforme levantamento da Folha em associação ao Instituto Talanoa.

Um pacote, enfim, com todo regramento infralegal, produzido nos moldes como Salles anunciou na reunião ministerial de 22 de abril, na qual deitou as bases de sua doutrina da “passagem da boiada”, com o modelo de desregulamentação e simplificação de normas, enquanto o país se mantém antenado com a disseminação do coronavírus. 

No pacote, exoneração de agentes especializados, centralização da administração das unidades de conservação por gestão militar e regularização de indenizações para populações tradicionais que nelas habitam.

Pelo conjunto da obra, o Ministério Público Federal pediu o seu afastamento do MMA, arguindo improbidade administrativa na gestão ambiental, traduzida em 14 atos. A ação continua na gaveta da Justiça Federal do Distrito Federal.

O capitão Messias mantém Salles no cargo e a queda de braço com os segmentos ambientalistas, e agora também com o capital internacional.

Deixe uma resposta