Fala aí, Mendonça!

André Mendonça, o atual ocupante da cadeira de ministro da Justiça, mandou demitir o diretor de inteligência da Seopi (Secretaria e Operações Integradas), o coronel reformado do Exército Gilson Libório de Oliveira Mendes. Vida curta teve Libório no comando da inteligência da secretaria. Ele havia sido nomeado ao cargo em substituição a um delegado da Polícia Federal, junto com a ascensão do próprio Mendonça ao ministério da Justiça.

 A decisão do ministro veio depois de o mundo desabar sobre sua cabeça. Foi a Seopi a responsável pela produção de um dossiê com informações de agentes policiais e acadêmicos opositores do governo e classificados de antifascistas.

Mendonça, o ministro que é a própria expressão do inexpressivo, em entrevista à Globonews, no domingo (2) afirmou que não podia negar nem confirmar a existência do dossiê. Mas que aguardava a apuração interna para tomar uma posição. “Se for verificado que há qualquer atuação persecutória, ilegítima, essa pessoa não tem condições de continuar trabalhando comigo”.

Não precisou. O empurrãozinho veio logo na segunda (3) com a revelação do Estadão de que uma leva de nove servidores da área de Inteligência, incluindo aí o coronel Libório, havia sido nomeada pelo próprio Mendonça, quando assumiu o cargo no lugar de Sérgio Moro, há pouco mais de três meses.

Como não se cogita que Libório e trupe da inteligência tinham autonomia para a produção de uma peça desse calibre, cabe supor que estamos diante de típico clássico de homem ao mar. E não se fala mais nisso.

Depois de vários pedidos de convocação de deputados e senadores para depor perante ao Congresso, ficou acertado de Mendonça de prestar esclarecimentos em sessão virtual na terça (4). Mas o ministro refugou, alegando que por se tratar de assunto sigiloso, não cabia ser tratado audiência aberta ao público.

Mas ainda na terça a ministra Carmem Lúcia, do STF, deu prazo de 48 horas para Mendonça se explicar. Carmem Lúcia justificou sua decisão dizendo que, caso seja comprovada a natureza do dossiê, ficará “escancarado” o “comportamento incompatível com princípios democráticos” e que tal ação “põem em risco a observância os preceitos fundamentais da Constituição”.

Fala aí, Mendonça!

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