A rachadinha do guru do clã Bolsonaro. Made in USA

A extrema-direita acaba de sofrer uma baixa considerável. Steve Bannon, porta-estandarte do movimento mundial, foi preso na manhã desta quinta (20) nos Estados Unidos. Estrategista de Donald Trump e guru do clã Bolsonaro, Bannon é acusado de desviar recursos de uma campanha on line destinada a levantar fundos para a construção do infame muro na fronteira com o México. Só foi solto depois de pagar fiança de 5 milhões de dólares

Promessa de campanha de Trump, de barrar a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos, a obra conseguiu atrair 25 milhões de dólares pela internet. Dessa bolada, Bannon teria embolsado 1 milhão, segundo a Procuradoria de Nova Iorque, que acusa ainda mais três pessoas pela fraude. Seria uma espécie de rachadinha entre amigos, como já caiu na rede.

Com mais essa, amplia-se a fileira de auxiliares e ex-conselheiros do mandachuva americano flagrados em falcatruas, contribuindo para fazer mais água na corrida de Trump para permanecer na Casa Branca.

Demitido oito meses depois da posse do chefe, Bannon tratou de organizar e disseminar suas ideias ultranacionalistas, oferecendo uma plataforma calcada em teorias conspiratórias, no confronto às instituições e no ataque permanente aos adversários, invariavelmente com a manipulação de notícias falsas espalhadas pela rede. A estratégia que serviu para levar Trump ao poder foi entregue de encomenda a Bolsonaro.

A aproximação com a família se deu em 2018, em meio à campanha eleitoral brasileira, a partir de conversas intermediadas por Eduardo Bolsonaro, então candidato a deputado federal. Na ocasião, o filho 03 do capitão chegou a expressar seu entusiasmo pela aproximação com Bannon: “Compartilhamos a mesma visão de mundo”.

Certamente sabia o que estava dizendo. Logo depois, em janeiro de 2019, Eduardo teria sido, segundo suas próprias palavras em redes sociais, o escolhido por Bannon para liderar o movimento da extrema-direita na América Latina.  

A recíproca parecia absolutamente verdadeira: “O capitão Bolsonaro é um brasileiro patriota e, acredito, um grande líder para seu país nesse momento histórico”, cravou Bannon para a Reuters.

Já em sua primeira visita oficial aos Estados Unidos como presidente eleito, o capitão esteve ladeado por Bannon e Olavo de Carvalho, a versão bananeira do americano, em jantar na embaixada brasileira em Washington. E ali resumiu a natureza e o caráter do seu governo.

“O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão, já estou muito feliz.”

Construir jamais, claro.

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