Dudu Bolsonaro, o patrono do novo CCC

Projeto de lei de autoria do deputado Eduardo Bolsonaro (PL 4425/2020) criminaliza indistintamente o comunismo e o nazismo, cuja apologia já é tipificada como crime. Pela proposta fica vedada qualquer referência a pessoas, organizações, eventos ou datas referentes a ambas ideologias, bem como sua menção em logradouros ou espaços públicos e privados.

Proíbe ainda o uso de imagens e símbolos, tais como martelos e foices, ou a combinação de ambos, cruz suástica ou estrelas de cinco pontas, em faixas, adornos ou em camisetas, bem como sua fabricação ou comercialização, ou mera discussão pública a respeito.

A pena, em caso de transgressão à lei: de 9 a 15 anos de cana, aumentada em mais 1/3, quando houver difusão em escolas, universidades, local de trabalho ou via rádio ou TV. Salvem-se professores e profissionais de comunicação.

O projeto foi protocolado no último dia 1° de setembro. E segundo o filho 03 do capitão (não seria zero à esquerda?), “a data não foi por acaso escolhida”. “Ela marca a invasão da Polônia em 1939: a oeste pelos alemães nazistas e duas semanas depois, em comum acordo, a leste pelos soviéticos comunistas. Este fato histórico marca o espírito deste projeto: garantir a proteção dos direitos e liberdades humanas e civis evitando a repetição de atrocidades patrocinadas pelo nacional-socialismo (nazismo) e pelo comunismo.”

Depois de citar o “expoente conservador Ronald Reagan, e o escatológico Olavo de Carvalho, Dudu Bolsonaro, em seu arrazoado, argumenta o seguinte: “Ambas as ideologias se explicam em uma palavra: genocídio.” Porém, “certo é que é que por onde passou, o comunismo trouxe igualdade, pois retirou a riqueza dos ricos tornando a sociedade toda pobre se não fosse por uma exceção: a classe partidária comunista. Assim foi na URSS, Coreia do Norte e Cuba, dentre tantos outros exemplos fáticos.”

“Assim, ambas tendências, comunismo e nacional-socialismo (nazismo) devem ser banidas da sociedade, afim de garantir que a menor minoria da Terra siga protegida: o indivíduo.”

Depois da ameaça de ruptura institucional (“não se, mas quando) e de fechamento do STF (“basta um soldado e um cabo”), o delirante Dudu, mestre hamburgueiro, formado nas chapas de lanchonetes americanas, se propõe a ser o patrono da nova versão do CCC (Comando de Caça aos Comunistas).

No auge da aventura de Collor na presidência, Ulysses Guimarães cunhou uma máxima imbatível sobre a composição do Congresso à época: “Está achando ruim essa? Então espera a próxima: será pior. E pior, e pior …”

Certamente não imaginava que um dia fosse parida uma com tamanho desatino e estupidez.

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