O capitão aterrissa no Mato Grosso: “o grande futuro do nosso Brasil”

Bolsonaro foi ao Mato Grosso nesta sexta (18). Foram duas tentativas de aterrissagem no aeroporto de Sinop, onde foi cumprir mais uma etapa de sua campanha cotidiana. Na primeira o avião da FAB que o transportava teve que arremeter devido à baixa visibilidade. “Foi a segunda vez a minha vida que isso acontece… e obviamente algo anormal estava acontecendo, no caso é que a visibilidade não estava muito boa”, disse o capitão para uma platéia composta de gente do agronegócio.

Carcaça de jacaré carbonizado no Pantanal. Foto: Amanda Petrobelli- Reuters

O “algo de anormal” era a densa fumaça que cobria a região, resultado das queimadas que avançam sobre o Pantanal e que já consumiram cerca de 2,5 milhões do bioma. De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) este setembro já superou todas as marcas de focos de incêndios para este mês. Os recordes da devastação se sucedem dia após dia e mal chegamos à metade de um setembro negro.

Diante de sua claque, porém, Bolsonaro tratou logo de minimizar o estrago. “Estamos vendo alguns focos de incêndio acontecendo pelo Brasil, isso acontece ao longo de anos.”. Quanto à avalanche de críticas, é o que “interessa aos concorrentes para quilo que temos e melhor que é o agronegócio.”

E aproveitando a própria deixa, aproveitou exaltar o governo militar de suas origens, com seu proselitismo habitual , certamente o responsável pela  “Lá atrás, no governo Médici, quando começamos a interiorização do Brasil, ficou o exemplo. De muita gente vir para cá e prosperar. Vocês hoje são, na verdade, o grande futuro do nosso Brasil.”. Não surpreende. Nesta semana ao interior da Paraíba, o capitão chegou a festejar a condução de sua política ambiental. “O Brasil está de parabéns pela maneira como preserva seu meio ambiente.”

Fosse um país de regramento institucional consolidado e firme em suas convicções, esta figura abjeta já teria sido expelida do poder. Mas ainda balançamos ao sabor das acomodações políticas. Ocorre, porém, que estamos diante da destruição de um dos mais belos e exuberantes santuários da biodiversidade brasileira, patrimônio natural da humanidade. E parece não haver força capaz de detê-lo

Sua atitude combina ignorância e rala esperteza eleitoreira. E é uma resposta à crescente pressão internacional contra o desflorestamento promovido por seu governo – que ele considera modelar – e que essa semana foi renovada com nova carta encaminhada ao vice Hamilton Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal.

No documento, embaixadores de 8 países europeus alertam mais uma vez para o ato de que situação atual pode afetar as relações comerciais entre o Brasil e sua comunidade .“Enquanto os esforços europeus buscam cadeias de suprimentos não vinculadas ao desflorestamento, a atual tendência crescente de desflorestamento no Brasil está tornando cada vez mais difícil para empresas e investidores atender seus critérios ambientais, sociais e de governança, registra a carta com cópias endereçadas aos ministros da Defesa, Economia, Agricultura, Meio Ambiente e à presidência da Funai.

Estão todos cientes, mas o capitão deve continuar pagando pra ver. Alguns, como o exterminador antiministro do MMA, procuram se cobrir. Depois do um ano e meio de indefinições, Ricardo Salles correu para desbloquear uma verba de 530 milhões de reais, destinada fazer frente às mudanças climáticas, segundo informa a coluna de Monica Bérgamo para a Folha. Consta que na verdade Salles corre para salvar a própria pele na audiência pública convocada pelo juiz do STF Luis Roberto Barroso para os próximos dias 21 e 22 de setembro.  

Os jacarés e os outros bichos do Pantanal já não têm pra onde correr.

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