Sob Bolsonaro, crescem os ataques contra os indígenas, aponta Cimi

Os ataques contra os povos indígenas tiveram um aumento significativo no primeiro ano do governo Bolsonaro, passando de 109 casos registrados em 2018, para 256 em 2019 – um salto significativo de 135%. Esses registros abrangem invasões por posseiros, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio de pelo menos 151 terras indígenas, referentes a 143 povos, em 23 estados.

Comunidade Huni Kui, do Acre. Foto: Cimi/Denisa Sterbova

Essa contabilidade funesta faz parte do relatório anual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão associado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), divulgado nesta quarta-feira (30) em Brasília. Em síntese:

“O aumento vertiginoso de invasões, grilagens, incêndios criminosos, loteamentos ilegais, ameaças, conflitos, descasos no atendimento à saúde e à educação, criminalização, dentre outras violações a seus direitos, evidencia que os indígenas enfrentam um dos momentos históricos mais desafiadores desde a invasão dos colonizadores”

De acordo com o anuário, a ofensiva contra os povos tradicionais estende-se por todo o país, veloz, ostensiva e sistematicamente.   

A intensificação das expropriações de terras indígenas, forjadas na invasão, na grilagem e no loteamento, consolida-se de forma rápida e agressiva em todo o território nacional, causando uma destruição inestimável.

Para além de materializar o reconhecimento de um direito originário, as terras indígenas são, comprovadamente, as áreas que mais protegem as matas e os seus ricos ecossistemas.”

Como atesta o relatório com uma fartura de dados, não resta dúvida de que esse cenário decorre principalmente da retórica oficial, associada a uma política de desmantelamento da política de proteção ambiental, que impede o país de conter a onda de invasões e devastação.

“O governo, no atual contexto, age como legalizador ou autorizador das invasões e da exploração das terras na medida em que atua para inviabilizar qualquer possibilidade de que terras venham a ser demarcadas”

O estudo analisa ainda as causas que têm sido debatidas exaustivamente nesse período por entidades ambientalistas e de fiscalização e divulgadas quase que cotidianamente pela mídia, diante da nova onda de queimadas pelo país afora. E traça o caminho do crime que por décadas tem sido perpetrado contra os índios e suas terras.

A explosão de incêndios criminosos que devastaram a Amazônia e o Cerrado em 2019, com ampla repercussão internacional, deve ser inserida nessa perspectiva mais ampla de esbulho dos territórios indígenas.

Muitas vezes, as queimadas são parte essencial de um esquema criminoso de grilagem, em que a “limpeza” de extensas áreas de mata é feita para possibilitar a implantação de empreendimentos agropecuários, por exemplo.

De modo resumido, assim funciona esta cadeia: os invasores desmatam, vendem as madeiras, tocam fogo na mata, iniciam as pastagens, cercam a área e, finalmente, com a área “limpa”, colocam gado e, posteriormente, plantam soja ou milho.”

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