Bancos apoiam aliança por economia verde

O setor financeiro corre para tentar apagar o incêndio provocado pelo governo. Os três maiores bancos privados do país, Itaú, Bradesco e Santander decidiram aderir à Coalizão Clima, Florestas e Agricultura, aliança entre entidades ambientalistas e do agronegócio, formada a fim de traçar caminhos conjuntos para fazer frente à devastação da Amazônia, que já ameaça seus negócios.

Foto Reuters/Mohamed Abd El Ghany

A ideia é promoção de um novo modelo de desenvolvimento, baseado numa economia de baixo carbono, na qual a agropecuária possa ser enquadrada. O acordo vem no momento em que o sistema financeiro vem sofrendo pressão para cortar o crédito de desmatadores de carteirinha.  

Em julho último, os mesmos bancos já haviam anunciado a criação do Plano Amazônia, voltado para planos estratégicos de proteção à floresta. Os donos do dinheiro sabem onde a coisa aperta.

Só para lembrar: as três instituições amargaram uma redução de 40% no lucro líquido aferido, caindo de 17,1 bilhões de reais para 10,2 bi. Claro que o resultado tem a ver com a inadimplência monstro provocada pela pandemia. Mas sabem que atrás disso vem uma boiada capaz de fazer estragos transamazônicos.

O capital internacional já se deu conta do cenário que está por vir e continua em sua empreitada de retirar o dinheiro do país, ao contrário do que disse o capitão na tribuna da ONU. Segundo dados oficiais da Bolsa de Valores e São Paulo, a fuga de capitais bateu na casa de 88, 2 bilhões e reais, o dobro do que foi retirado em todo o ano passado.  

Mais uma vez a pandemia figura como o principal vilão do buraco. Mas segundo especialistas do mercado pode botar na conta do tombo o conflagrado cenário político, o desarranjo fiscal em curso e a política ambiental do governo, que o capitão não e cansa de rotular de exemplar.   

A Justiça, porém, não vêm mal algum em deixar passar a boiada, pelo menos no entendimento do desembargador Marcelo Pereira da Silva, do Tribunal Regional da 2ª Região, que decidiu suspender a liminar que garantia a preservação de manguezais e restingas contra as resoluções do Conama.

Segundo o desembargador, os autores deixaram de explicar quais prejuízos seriam causados com a revogação das normas de preservação e que as mudanças foram baseadas no Código Florestal, como argumenta o arguto Ricardo Salles, devastador número 1 da nação.

Já para AGU (Advocacia-Geral da União) “não é possível concluir” que a escalda do desmatamento no Brasil tem relação com as ações à frente do MMA. Trata-se de manifestação do MPF que pedia a cabeça de Salles, já que a permanência do capo Salles viola preceito constitucional e “tem trazido, a cada dia, consequências trágicas à proteção ambiental, especialmente pelo alarmante aumento do desmatamento, sobretudo na Floresta Amazônica”.

Então tá. Mas o caso Conama ainda não para por aí da ministra Rosa Weber, do STF, Salles ainda tem que explicar as bárbaras revogações que tomou à frente do Conama. Tem mais 24 horas para isso. A partir daí, o aso pode ser apreciado pelo plenário do Supremo.

De qualquer maneira, conviria que a ministra Weber julgasse ação contra a composição e a forma do Conama, que está em suas mãos. Esse é o cheque em branco que Salles recebeu do capitão e que se converteu em passaporte pra toda e qualquer boiada.

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