Reino Unido quer cortar a carne de quem desmata

Vem aí mais uma bomba do mercado internacional contra a política ambiental do governo do capitão. Nessa segunda (5), pesos-pesados do setor alimentício encaminharam ao governo britânico carta aberta exigindo uma legislação mais rígida para a produção de uma série commodities, entre elas, carne bovina, soja e grão e óleo de soja, além de couro, cacau, borracha e óleo e palma. E o alvo é o combate à devastação de florestas tropicais. É o que informa a Folha.

São produtos que fazem parte da principal pauta de exportações pra o Reino Unido. Dá pra medir o tamanho do rombo à vista, caso a nova lei passe a vigorar.

Na lista dos que subscrevem o documento, figuram 21 empresas, entre produtores de alimentos e proteína animal, rede de restaurantes e varejistas, entre elas, a gigante suíça Nestlé, o conglomerado americano Mondelez, que abarca várias marcas, a rede McDonald´s de lanchonetes e a Pilgrim´s Pride, do ramo de proteína.

A carta vem a público no último dia de uma consulta popular promovida pelo governo do Reino Unido, desde o último dia 25 de agosto. Acossadas pelos consumidores, as autoridades britânicas querem endurecer o jogo no comércio de commodities originárias de países que desmatam, impondo maior fiscalização e certificado de origem de produtos do segmento agropecuário.

Ainda em agosto, a Tesco, a maior rede de supermercados do Reino Unido, já havia anunciado a suspensão da compra da carne da JBS – a brasileira que se tornou a maior processadora de carnes do planeta, pelas graças divinas do BNDES –, depois de campanha do Greenpeace. E, de quebra, pediu auditoria oficial sobre a origem dos produtos exportados para lá.

O documento lembra que a lei deve se estender a produtos oriundos de áreas que sofreram qualquer forma de desmatamento, indistintamente, e não só aquelas tidos como ilegais em sua origem.

“A legislação proposta continuaria a permitir o desmatamento desenfreado em lugares críticos, como a Indonésia e o Brasil”, explica Robin Willoughby, diretor da ONG Mighty Earth. E com isso “quase 90 milhões de hectares de floresta brasileira poderiam ser desmatados legalmente no âmbito da lei”.

Desdém do Planalto

A intelligentsia fardada do Planalto desdenha – quando não, aponta para movimentos conspiratórios em favor da cobiça internacional, como fez Bolsonaro na ONU. O general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI, por exemplo, disse, há uns quinze dias, que até considera a hipótese de retaliar países que decidam boicote a produtos brasileiros por questões ambientais.

O general lembra aquele espadachim que depois de perder, em duelo, os braços e as pernas passa a cuspir no oponente. Sua vocação para a bravata rasa parece irrefreável. Mas com um repertório tão vasto, a pérola ainda estaria por vir – e veio no último final de semana. Segundo o general, o governo Bolsonaro, sabe bem o que fazer para contra a devastação ambiental, mas ainda não teve tempo pra isso. Depois de quase meio mandato percorrido.

Veja um trecho de sua fala, gravada em conversa com Eduardo Bolsonaro, o 03, no canal do Youtube do deputado, e transcrito pelo Uol.

“Nós sabemos exatamente o que temos que fazer na Amazônia brasileira e no Pantanal. Só que não houve tempo ainda de colocar em prática, de colocar gente para fazer isso”.

“Podemos melhorar a vigilância do desmatamento da Amazônia? Podemos, claro, devemos fazer isso. Mas é o que eu digo, o governo Jair Bolsonaro tem 1 ano e nove meses, não há como resolver todos os problemas do Brasil. Passamos 40 anos tendo uma gestão catastrófica de nossos recursos, inclusive os recursos naturais.”

Seria aconselhável o general explicar o que o governo fez, além de promover uma guerra cultural e ideológica, afrontar o Judiciário, desmontar o sistema de fiscalização e controle do MMA, da precarização da cultura e da Educação.

Poderia explicar também qual é exatamente o papel do Conselho da Amazônia, comandado pelo seu colega de farda, general Hamilton Mourão diante de tamanha devastação nos dois biomas. As chamas que consomem o Pantanal, há pelo menos três meses, e a Amazônia, já haviam sido previstas, desde o ano passado, pelos sistemas de vigilância que o governo insiste em desclassificar.

Poderia dizer também se ele considera que é pra valer o artigo 225 da Constituição, que traz um enunciado sobre o qual

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

E finalmente o que poderia ser mais catastrófico do que temos presenciado nos biomas.

Com a palavra, general.


 [G1]

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