Desmatamento queima acordo UE-Mercosul

Depois da notícia de que o Reino Unido quer endurecer as leis que regem comércio internacional, obrigando suas empresas a garantirem cadeias de abastecimento livres de desmatamento, um novo sinal emitido pelo Norte aponta na mesma direção.

Nesta quarta (7) o Parlamento Europeu advertiu, mais uma vez, que não deverá ratificar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A razão, obviamente, é a desastrosa política ambiental do governo Bolsonaro. A menção consta de uma resolução a partir de emenda proposta pela delegação francês, a segunda maior bancada.

O texto da emenda é taxativo: “o acordo não pode ser ratificado como está”. Os eurodeputados consideram que o pacto “representa o maior acordo ‘bloco a bloco’ desse tipo e tem o potencial de criar um mercado aberto mutuamente benéfico, abrangendo aproximadamente 800 milhões de cidadãos”. Mas observam que ele “deve garantir condições de concorrência leal e respeito às regulamentações e modos de produção europeus”.

Mais que isso: o acordo traz um capítulo que versa expressamente sobre desenvolvimento sustentável, cujos termos devem ser implantados, aplicados e avaliados. O governo brasileiro simplesmente ignora seu enunciado assim como o que seja prática sustentável, provavelmente por achar que seus termos são um emaranhado pro forma e sua aprovação, favas contadas.

O acordo, firmado no ano passado, levou vinte anos para ser costurado e requer confirmação. O capitão em apenas um levou-o à sua iminente demolição. O Parlamento Europeu depende da assinatura de todos os seus 27 países membros para dar início a o processo de ratificação. França, Holanda e Áustria já se manifestaram contra o acordo.

Em entrevista ao Globo, o Rubens Ricupero, diplomata e economista, ministro do governo Itamar Franco, sintetizou a situação: “Bolsonaro está fazendo o jogo dos lobistas europeus, que veem nele o presidente do Brasil dos sonhos.”

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