Imunização contra a insanidade

O tom de confronto foi substituído pela farsa. Nesta segunda (26), apresentando-se mais uma vez para sua claque no Palácio da Alvorada, Bolsonaro apressou-se em dizer que não entende por que tanta pressa em se obter uma vacina contra a Covid 19. Referia-se ao imunizante Coronavac, produzido pela farmacêutica Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan.  “Todo mundo diz que a vacina que menos demorou foram quatro anos”, justificou.

O capitão retomou o assunto que dominou o noticiário da semana passada. E que terminou com um registro do capitão em visita ao general quatro estrelas Eduardo Pazuello, em isolamento pelo corona, que se traduz em uma espécie de imagem-síntese desse governo com todos os ingredientes que conhecemos: vassalagem, empulhação, desatino, incompetência, só pra ficar no raso. “É simples assim: um manda e o outro obedece”, cravou o general em transmissão ao vivo, depois de ser desautorizado na véspera por firmar acordo para a compra de um lote daquela vacina.

A fundamentação do capitão pra variar extravasa os contornos de uma personalidade limítrofe, quando não se contradiz em sua tábula rasa, ao invocar a ciência. “Eu dou minha opinião pessoal. Não é mais barato, nem fácil, investir na cura do que até na vacina ou jogar nas duas. Mas também não esquecer a cura. A cura aí… Eu, por exemplo, sou um testemunho. Eu tomei a hidroxicloroquina, outros tomaram a ivermectina, outros tomaram Annita… E deu certo. E, pelo que tudo indica, todo mundo que tratou precocemente com uma dessas três alternativas aí foi curado.”

Não só. Do alto de sua patente furada, se dispõe a criticar o processo de judicialização do tema, depois que Luiz Fux, presidente do STF, se pronunciar a respeito de uma tomada de posição sobre a obrigatoriedade da imunização contra a doença. “Entendo que isso{não} é uma questão de Justiça, é uma questão de saúde acima de tudo. Não pode um juiz decidir se você vai ou não tomar a vacina. Isso não existe. Nós queremos é buscar a solução para o caso”.

Quer mesmo? Além de insistir com o exercício ilegal da medicina, ao receitar drogas não reconhecidas, arvora-se em magistrado. Claro que vai perder a parada no Supremo.  A questão é o significado da perda para o país, que luta pra imunizar-se da insanidade a que está exposta cotidianamente.

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