Pólvora é invenção chinesa. Assim como a bússola.

Mais uma do Jair pra engrossar o anedotário presidencial tupiniquim. Em resposta aos que o cobram por uma manifestação sobre a vitória a Joe Biden, Jair decidiu eleger o americano seu inimigo preferencial. Em evento no Planalto, o capitão mandou o seguinte recado ao presidente eleito dos EUA, a quem se referiu como “grande candidato a chefia de Estado”. “Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão, não funciona.”

O capitão fazia menção a uma fala de Biden, durante debate com Trump, em que sinalizava com eventuais sanções econômicas em razão da destruição da Amazônia. E o fim da saliva seria o esgotamento das negociações no plano diplomático. É ou não é Ernesto?

Primeiro deveriam informar o capitão que pólvora é invenção chinesa, idelogicamente contrária às suas convicções. E depois, mesmo para alguém sem noção do que seja a chefia de um Estado (ou qualquer coisa relativa a ela), o senso de ridículo deve se impor.

Está claro que a questão ambiental, e particularmente a Floresta Amazônica, devem a partir de agora ganhar relevo nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. E claro também que na base da saliva não vai dar e o decantado pragmatismo deve ir pro ralo, se depender de ações previstas pelo capitão e sua corte fardada.

Pelo Estadão ficamos sabendo que está em gestação um projeto de marco regulatório destinado fazer uma peneira entre as Organizações Não-Governamentais que atuam na Amazônia. O projeto leva a chancela do Conselho da Amazônia, presidente pelo general-vice Hamilton Mourão, e tem entre suas metas deter o “controle de 100% das ONGs e permitir atuação somente das que “atendam aos interesses nacionais.”  

Interesses nacionais a cargo de quem? O governo deliberadamente afronta a legislação ambiental, é incapaz de conter a devastação, a grilagem ou os ataques às populações nativas, e propõe o extermínio das ONGs, que assumem o papel de preservação que caberia ao Estado.

Na outra ponta, conforme noticiado também pelo Estadão nesta terça (10) o governo faz circular documentos oficiais que apontam para o interesse crescente de potências econômicas ocidentais, agora somadas à China, por recursos naturais estratégicos.

Diante da crise global da água, povos da Ásia e África, particularmente os chineses, claro, estariam de olho no potencial hídrico brasileiro. Isso com o envolvimento e apoio e de agentes nacionais, com “interesses menos republicanos” e de ONGs – daí a razão em tê-las sob controle.

O que falta de rumo e plano de gestão estratégica para o patrimônio natural do país sobra em paranoia ao governo de capitão. Em casos como esse seria recomendável uma bússola. Mas aí também se esbarra na origem. A bússola também uma é uma invenção creditada aos chineses, assim como a pólvora, o papel e a Coronavac.          

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