O PV na trincheira para 22

Passada a ressaca eleitoral, cabem algumas considerações. O primeiro aspecto a ser ponderado é o alto índice de abstenções, impactado previsivelmente pela pandemia e também por uma certa desmobilização derivada sobretudo de uma descrença na política tradicional.  

Isso ajuda a explicar a ausência significativa nas urnas, cuja média nacional bateu em 23,14%, vários pontos acima dos índices (já crescentes) das últimas eleições. Teve capitais como Porto Alegre e Rio de Janeiro em que esses percentuais alcançaram 33%.

O segundo aspecto é o refluxo da onda de extrema-direita que varreu o país no pleito de 2018 e colocou o capitão Jair na presidência – ainda que por força inercial partidos como o PSL tenham alcançado um relativo êxito e o arco do campo democrático, que inclui PV, PSB, PDT e Rede, não tenha ainda reconstituído suas forças.

É possível tirar daí que ainda está em curso um processo de reacomodação de placas tectônicas, depois do terremoto conservador – em que pese distorções das mudanças da legislação eleitoral, que não só combate legendas de aluguel, como refreia e põe em risco a representatividade de partidos ideológicos.

Nesse cenário projetado para garantir as legendas de interesse do sistema, com um fundo eleitoral devidamente bem abastecido, deram-se bem as principais legendas do Centrão, notadamente PP e PSD Republicanos, além do DEM. A propósito: esse Centrão revigorado vai garantir a pele de Bolsonaro para 2022?

É pagar pra ver. Mas nada indica que o discurso isolacionista de Bolsonaro, calcado num obscurantismo medieval deva prosperar diante de um Centrão pragmático, principalmente em um cenário redefinido pela ascensão de Joe Biden ao poder nos EUA. Mais provável é o desembarque do Centrão.  

Agenda verde

Se a agenda ambiental ainda andou escanteada nessas eleições municipais, normalmente voltada às questões locais, a partir de agora ela deve decolar. E com ela as deverão seguir as pautas comportamentais, contemplando o direito das minorias, a diversidade e da igualdade.

Sinais dados por essa disputa já dão uma pinta da reversão do baixo astral reinante com a eleição expressiva de mulheres, negros e transexuais em algumas das principais capitais.

22 vem aí. O Partido Verde vai nessa trilha e desde já armado para a disputa. Historicamente carrega na bagagem ideais libertários e a defesa do patrimônio natural. Se isso antes era um emblema programático, nesse cenário de destruição bolsonarista tem sentido de trincheira.  

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