Devastação da floresta: porta aberta pra o crime organizado

“A Amazônia em risco coloca em risco a segurança do Brasil.” A ideia evidentemente sempre esteve na cabeça de quem se dispõe a pensar sobre o assunto como um dos efeitos colaterais derivados da devastação acelerada da floresta.

A tese agora é expressa por militares e analistas estrangeiros, que veem no desmatamento ilegal a brecha para a consolidação do crime organizado e o comprometimento do papel do Estado. E faz parte de um documento elaborado pelo Conselho Militar Internacional sobe Clima e Segurança, instância integrada por especialistas representantes de 38 países, e que acaba de ser divulgada, como informa Jamil Chade, no UOL.

Ele destaca o papel do Conselho: “antecipar, analisar e enfrentar os riscos de segurança de um clima em mudança.” Como se vê algo que bate de frente com a ideia passadista militares brasileiros e traduzida pelo lema “Integrar para não Entregar” que Bolsonaro se encarregou de elevar ao grau da irracionalidade com sua política de flexibilização dos mecanismos de controle ambiental.

O recado é claro: “o desmatamento ilegal apresenta o maior risco ambiental para o Brasil, mas também representa uma ameaça à segurança pública, dados os impactos de tal atividade criminosa em larga escala sobre a legitimidade do Estado”.

O relatório adverte ainda que “o Brasil não está adequadamente preparado para os impactos dos fatores de estresse relacionados às mudanças climáticas previsíveis em sua segurança, economia, base de recursos naturais e infraestrutura nacional crítica, especialmente suas usinas hidroelétricas e instalações militares”.

E traz uma sugestão que certamente será chutada pelo governo negacionista do capitão como mais uma prova da intromissão internacional: que a comunidade de segurança brasileira “incorpore a ciência climática em suas avaliações e processos de planejamento estratégico para mitigar e se preparar para os piores casos”.

A pressão internacional contra o desmatamento, que já havia tomado corpo com os alertas de governos e organismos financeiros e comerciais, deve aumentar a partir da gestão do governo Biden.

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