Arapongagem na berlinda

Não foi longe a intenção do governo de monitorar a atividade de parlamentares e jornalistas a partir de suas redes sociais. O PV havia entrado com ação liminar no Supremo, no último dia 25 de novembro, pedindo a suspensão da arapongagem pela Secretaria de Governo e pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

Antes que a ministra Carmem Lucia pudesse deliberar sobre a matéria, o Ministério da Economia, um dos contratantes do pacote de “comunicação”, anunciou o rompimento do acordo firmado com agência de comunicação responsável pela empreitada.   

O episódio é mais um desvio de conduta entre tantos produzidos pelo governo Bolsonaro, que só reafirma o grau de paranoia do capitão e sua identificação com métodos de perseguição a seus opositores. Em julho passado soubemos que uma secretaria subordinada ao Ministério da Justiça, de André Mendonça, havia posto em execução ação sigilosa para monitorar 579 servidores federais e estaduais, além de acadêmicos e intelectuais, identificados como integrantes do movimento antifascista.

Nessa nova empreitada foi utilizada uma agência de comunicação, a BR+ Comunicação para a produção de um “mapa de influenciadores”, que os subdividiu em três grupos: detratores, neutros informativos e favoráveis.   

Nesta ação ajuizada pelo PV, na qual é citada reportagem da revista Época, o partido sustenta que a arapongagem oficial terceirizada lesa o preceito da liberdade de expressão, da manifestação do livre pensamento e do livre exercício profissional.

Mais uma vez o esquema do capitão fez água rapidinho logo depois que caiu na imprensa e do barulho que veio a seguir. Em anúncio à coluna de Rubens Valente do UOL, a Ministério da Economia disse que encerrou o contrato com agência, pondo fim ao acordo previsto para terminar no último dia do ano.

De qualquer maneira, com o destrato fiamos sabendo de alguns dados e valores. O mapa custou a bagatela de 36 mil reais, como parte de um contrato originalmente acertado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, do ex-astronauta e tenente-coronel da FAB Marcos Pontes e estendido ao ME de Paulo Guedes. O valor total do cardo pelos préstimos de comunicação é de 2,7 milhões de reais.

A BR+ Comunicação já havia se manifestado em nota, depois da descoberta do servicinho bisbilhotagem que a referência a “detratores” havia sido um erro. Ponderou que normalmente utiliza classificações de positivo, negativo e neutro. E desculpou-se pelo “mal entendido”.

Então tá. E assim ficamos conversados.  

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