Salles manobra e Brasil fica de fora de reunião do clima

Uma jogada nos parâmetros de aferição armada pelo Ministério do Meio Ambiente fez com que ao Brasil fosse permitido emitir uma cota extra de 400 milhões de toneladas de gases do efeito estufa em relação do que fora inicialmente previsto pelo Acordo de Paris.

Havia desde o encontro de dezembro de 2015, um comprometimento global, incluindo o Brasil, para que se limitasse o aquecimento global em torno de 1,5ºC.       

O país renova o compromisso, mas com uma pegadinha embutida. Quem matou a charada foi o Observatório do Clima, uma rede integrada de 56 organizações representativas da sociedade civil. O que o MMA fez foi manter o mesmo percentual de redução das emissões (43%) e o prazo, mas sobre uma base definida cinco anos atrás, consideravelmente alterada como se pode prever, dado o grau desmatamento que temos registrado nos últimos anos.

“A meta de redução de 2015 era baseada no Segundo Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa”, observa Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Já a meta atual tem como base o Terceiro Inventário, que atualizou o valor absoluto dos gases emitidos em 2005, de 2,1 bilhões de toneladas para 2,8 bilhões de toneladas de gases emitidos”.

Como se pode deduzir, manter as metas sobre uma base vencida, só dar em resultado falacioso. Trocando em miúdos, a emissão que tínhamos no horizonte, que era da ordem de 1,2 bilhão de toneladas de gases em 2030, de acordo com a nova meta apresentada pelo sinistro prestidigitador Ricardo Salles, na real passa a ser de 1,6 bilhão de toneladas.

Com mais essa, o Brasil conseguiu renovar a sua condição de pária internacional.  Nesta quinta (10) o Brasil foi oficialmente barrado do Climate Ambition Summit (Cúpula de Ambição do Clima), evento da ONU preparatório para a Conferência das Partes sobre Mudança do Clima, marcada pra novembro do ano que vem em Glasgow, na Escócia.

Participarão os países que até aqui apesentaram “metas ambiciosas” no esforço de zerar a emissão até meados do século. O Brasil ficará perfilado entre os marginalizados, como Estados Unidos e México.

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