Indígenas contaminados no Pará pelo garimpo ilegal

Pesquisa da Fiocruz, em parceria com a WFF Brasil, revela que seis entre dez indígenas, que ocupam uma extensa faixa de 178 mil hectares a sudoeste do Pará, apresentaram sinais de contaminação de mercúrio acima do limite considerado seguro.

Foto Vitor Moryama

O estudo levou cerca de um ano e a amostragem envolveu 200 indígenas de três aldeias da Terra Indígena Sawreé Muybu, do povo Munduruku. Em todos, foram detectados sinais de mercúrio no cabelo. Em uma aldeia ribeirinha, a que está situada junto ao rio Jamanxim, a contaminação chega a 90%.

Sabe-se que o mercúrio é um metal altamente tóxico. Ataca os rins, os pulmões e o cérebro e, em casos de exposição prolongada, os danos podem ser irreversíveis.

Crianças menores de cinco anos que foram submetidas a testes de desenvolvimento registraram resultados alarmantes. Comprometimentos de fala e coordenação motora foram acusados por 16% delas. O mercúrio é transmissível pelo sangue de mulheres grávidas, dado que pode resultar em má formação congênita.

Esse é o resultado da ação do garimpo ilegal na Amazônia, que utiliza o mercúrio no trabalho de extração do ouro da areia e terreno rochoso e contamina rios e nascentes. Esse é o resultado da ação nefasta do governo Bolsonaro, que incentiva a prática com seu discurso inconsequente e homicida.

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