Amazônia esplêndida, por Sebastião Salgado

A Folha trouxe neste final de semana, a última reportagem fotográfica, de uma série de dez, de Sebastião Salgado na Amazônia. Iniciado em dezembro de 2017, o ciclo registra, a partir de um belíssimo material fotográfico, os diversos aspectos geomorfológicos do principal bioma brasileiro, o modo de vida e a cultura dos povos que nele vivem.

Arquipélago de Anavilhanas, no Rio Negro/ Foto Sebastião Salgado

O material colhido por Salgado dá sequência a seu trabalho de documentação traduzido em livros, como Gênesis (2013) e Êxodos (2000), e que nos últimos anos tem se pautado sobretudo pelas questões ambientais e o desenvolvimento sustentável.

Este último caderno, Amazônia Esplêndida, foca o deslumbrante relevo da Amazônia e seus rios voadores, como são chamados os cursos traçados pelos ventos saturados por vapor d´água, que atravessam a região norte e vem desaguar no sul do continente. E destaca que, depois de circundar a Cordilheira dos Andes, os rios voadores vêm regularizar o regime de chuvas nas regiões sul e sudeste do Brasil e países limítrofes da região.  

A edição traz ainda um balanço da devastação. No período de um ano, que vai até julho último a Floresta Amazônica perdeu 11 mil km² de sua cobertura, 9,5% a mais do que em 2019, superando assim a maior marca da década. Em 50 anos, segundo informa o jornalista Leão Serva, que assina o texto, a Amazônia foi dizimada em 17%de sua área, que abrange quase a metade de todo o território brasileiro.

O agravante nessa história, como observa a reportagem, é que esse índice aponta de forma crescente para o ponto de irreversibilidade, projetado em torno de um quarto da perda de toda sua área original, como previsto por climatologistas como Carlos Nobre.

Arco-íris sobre Reserva Florestal Parima/ Foto Sebastião Salgado

Por fim, o caderno traz uma entrevista com Sebastião Salgado, na qual ele reflete sobre seu trabalho, o futuro da fotografia, a cultura indígena e o papel nefasto do governo Bolsonaro. Sobre ele Salgado é direto e vê uma luz no fim do túnel. “Bolsonaro é o general do Exército morto”, diz, em referência ao livro do albanês Ismail Kadaré.

“É um Exército aposentado, velho, aparentado com o golpe de 1964. Conhecemos uma quantidade de generais operacionais na linha de frente que não pensam como esses caras.” (…) “Ninguém no planeta ousaria invadir a Amazônia. Nem o Exército americano conseguiria porque o Exército brasileiro é que conhece a Amazônia.” (…) “Ele [Bolsonaro] vai fazer mal, deixar cicatriz, mas não vai destruir o sistema. (…) “Isso que está aí não vai ficar. A história é assim. Nós vamos dar um salto.”   

Nuvens carregadas sobre Terra Ianomami, em Roraima/ Foto Sebastião Salgado

Pelo link https://arte.folha.uol.com.br/ilustrada/sebastiao-salgado/ o leitor pode acessar toda a série Sebastião Salgado na Amazônia.

A partir de hoje este blog entra em férias, desejando um Feliz Natal e luz e paz a todos os corações e mentes no novo ano.  

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