A degradação da República sob Bolsonaro

Na base do rolo compressor, o capitão conseguiu fazer de Arthur Lira (PP-AL) presidente da Câmara Federal A conta ali no balcão ficou na base de 3 bilhões de reais em emendas destinadas a 250 deputados, além de outros 35 senadores, em cuja Casa Jair também conseguiu emplacar seu favorito à presidência, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). De acordo com planilha divulgada pelo Estadão, o montante faz parte de um bolo extra de recursos, à parte às liberações a que cada parlamentar te direito de indicar. Isso além de promessas de uma avalanche de cargos e criação de ministérios sob medida a sua nova base.

Estamos carecas de saber do risco inerente ao sistema presidencialista ao conferir poderes imperiais a um tirano de turno. Esse risco torna-se especialmente fatal quando encontra um tirano da estirpe de um Jair Bolsonaro. Assim, seguiremos de crise em crise, insistindo nessa variante de cooptação, ou como preferem chamar o tal presidencialismo de coalizão. Teríamos problema com o parlamentarismo? Possivelmente com o cenário atual. Mas teríamos válvulas de escape, poupando o país de seguidos traumas com processos de impeachment.

Pouco importa que o capitão tenha se tornado refém do Centrão. Ao consolidar sua aliança com seus pares de origem, depois de ser eleito acusando-os de ser “o que há de pior” na política brasileira, Bolsonaro levantou um biombo contra impedimento — claro, até que um acidente de percurso, algo previsível com um cenário de pandemia, combinado com alto desemprego e indicadores econômicos ameaçadores. Mais: implodiu certos arranjos em construção à direita e de quebra deu uma pavimentada no seu caminho para 2022. Em marcha, um novo circo do horror.

Os milicos palacianos, porém, podiam vir a público explicar o apelo pela nova aliança. Foi o general Heleno, chefe do do GSI, que num repente de calouro do The Voice, mandou ver: “Se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”..

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