O dia em que a turma da Faria Lima subiu nas tamancas

Bolsonaro fez um strike nos indicadores financeiros do país, ao intervir na Petrobrás com a indicação de um general da reserva (mais um) para o seu comando da estatal, alegando que a política de preços da BR tem sido um desserviço à nação. A reação do capitão foi motivado pelo anúncio na véspera de reajustes de 10 % no preço da óleo diesel (pela terceira vez no ano) e de 15% no da gasolina (pela quarta vez).

De saída a Petrobras perdeu 28 bilhões de reais de seu valor de mercado — com projeções de perda de 100 bilhões de reais — logo na sexta-feira, com a divulgação da indicação do ex-ministro da Defesa e atual diretor-geral da Itaipu Binacional Joaquim Silva e Luna. De quebra o caixa do governo foi aliviado em mais 4,7 bilhões de reais com a renúncia fiscal sobre o diesel e o gás de cozinha, seguido de um recado do próprio capitão, no sábado, de que entrando a semana “meter o dedo no setor elétrico.”

O que se seguiu foi um Deus nos acuda entre agentes e analistas de mercado e o prenúncio de um tsunami financeiro na segundona. O tom do assunto que foi o destaque do noticiário era não só de lamento com os destinos da Petrobrás (há quem tivesse sintetizado como a “destruição gerencial da empresa”), mas também com o efeito dominó sobre as demais estatais e os rumos da condução da política econômica traçada por Paulo Guedes — nessa altura já com seu nome cotado para a fritura palaciana da vez.

Não deu outra. Hoje o Ibovespa desabou quase 5%, arrastado pelas ações da Petrobrás, Eletrobrás e outras estatais, o dólar subiu, assim como o risco-país e juros futuros.

Agora é o seguinte: sem entrar no mérito da política de preços praticada pela Petrobras, Bolsonaro não está preocupado com os desarranjos estruturais da economia com a escalada de preços até o limite que possa atingi-lo. E e o capitão acaba de abrir a temporada de caça ao voto para 2022. A elevação do dólar, um dos componentes que definem o preço dos combustíveis é resultado de sua própria política econômica. E a subida o preço do petróleo era previsível com a reação a economia global.

Logo forçar a queda de preço na mão grande faz parte do show tosco e eleitoreiro do capitão, além de jogar contra os interesses de quem ele diz defender. Com a nova subida do dólar, é na bomba que o consumidor vai sentir.

O curioso é ver como a elite reage. Durante 28 anos como deputado Bolsonaro deu mostras de que sua guinada ao liberalismo seria uma jogada falaciosa. Ela não só bancou como sustentou a onda do capitão, ainda que o país, em dois anos de mandato, tenha registrado a destruição acelerada de seu patrimônio natural, a degradação da cultura, da saúde, da educação e de princípios civilizatórios.

Tem gente pagando pra ver como reage a turma da Faria Lima quando a ruína ameaça as portas de seu condado. 22 está aí e o capitão já botou seu bloco na rua.

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