2/3 das florestas originais devastadas em menos de vinte anos

Em menos de duas décadas, no período compreendido entre 2002 e 2019, foram devastados 2/3 de toda floresta tropical original do mundo. O dado alarmante integra faz parte de um relatório produzido pela Rainforest Foundation Norway, organização não-governamental voltada para os estudos e proteção das florestas e tropicais e os direitos de suas populações.

A extração da madeira e a conversão de terras majoritariamente em espaços destinados a agricultura limaram 34% da perda da cobertura vegetal primitiva, e provocaram a degradação de outros 30%, fazendo com que se tornassem mais frágeis e suscetíveis a incêndios. Essa devastação ocorreu fundamentalmente na Amazônia e América do sul.

Trocando em miúdos: o que se consumiu nesse meio tempo da mata original do planeta supera a área territorial da França. “E um ciclo terrível”, observa Anders Krogh, que assina o relatório e para quem quanto maior a destruição da floresta, maior é o potencial de indução das mudanças climáticas, comprometendo a sobrevivência de de matas remanescentes.

Em 2019, último ano da pesquisa — e primeiro da era Bolsonaro -, o índice de destruição florestal correspondeu a uma perda equivalente a um campo e futebol de floresta a cada 6 segundos. Na tábua de classificação o desmatamento, aparecem as ilhas do sudeste asiático, majoritariamente da Indonésia, sujeitas à exploração do óleo de palma, e a África Central, pressionada também pela agricultura e extração de madeira.

Inventário das emissões

O desmatamento como fator de agravamento das mudanças climáticas via emissão dos gases do efeito-estufa ficou evidenciado em novo estudo produzido no Brasil. Na semana passada, o Observatório do Clima lançou inventárioinédito, apontando os dez municípios que mais emitem GEE. Trata-se da primeira edição do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa) Municípios, com o registro da atividade poluente dos 5570 municípios brasileiros no período de 2000 a 2018.

Entre as dez cidades que mais emitem GEE, sete estão situados na Amazônia e fazem do desmatamento o principal fator das emissões. Juntos lançam na atmosfera 172 milhões de toneladas brutas de CO² equivalente. São Felix do Xingu, no Pará, município que concentra o maior rebanho bovino do país, é o campeão das emissões, provocadas pelo desmatamento seguido pela atividade agropecuária.

Fora da Amazônia, São Paulo e Rio de Janeiro formam o principal eixo das emissões entre as capitais. Os transportes são o principal fator. Completa a lista dos dez mais poluentes o município de Serra, no Espírito Santo, devido à sua atividade siderúrgica e outros processos industriais.

O coordenador-geral da Seeg, Tasso Azevedo observa em nota que até hoje apenas 5% dos municípios brasileiros tinham algum inventário das emissões dos gases do efeito-estufa. A partir de agora ele julga que há dados para uma série para 20 anos, uma espécie de guia para promoção de desenvolvimento regional com redução de emissões e combate às mudanças climáticas.

Absolutamente factível, desde que seja restaurado o poder civil comprometido com as metas.

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