Zambelli na Comissão de Meio Ambiente. De porteira aberta.

Não bastasse a tragédia cotidiana em curso com o agravamento da Covid (o Brasil já é o novo epicentro da pandemia no mundo), a crônica da passagem da boiada ganha a dimensão institucional que o sinistro Ricardo Salles tanto perseguia. Algo previsível, desde ascensão de Arthur Lira à presidência da Câmara e a tomada de espaços de comando nas comissões da Casa pela trupe bolsonarista.

Depois de Bia Kicis (PSL-DF), ícone da vanguarda totalitarista, assumir a Comissão de Constituição e Justiça, é a vez da diva do negacionismo vacinal tomar assunto na presidência da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento sustentável Carla Zambelli (PSL-SP). E com ela a certeza de desova de uma penca de projetos até agora engavetados, mas em fase final de tramitação — e com a certeza de porteira franqueada por Lira. Entre eles, a regulamentação da mineração em terras indígenas e a flexibilização na legislação referente à concessão de terras públicas desmatadas ilegalmente.

Outros ainda estão na boca do forno como a liberação da pecuária nas reservas legais e da caça e revisão das áreas de parques públicos — no alvo, os parques nacionais do Itajaí e são Joaquim, ambos em Santa Catarina.

Ao assumir, Zambelli deu a deixa de sua política à frente da comissão: “o Brasil é um exemplo de sustentabilidade”, mas tem “as leis mais restritivas do mundo.” Conta como ponta de lança com a paranaense Aline Sleutjes, outra bolso-pesselista, também recém-empossada no comando da Comissão de Agricultura, com quem espera trabalhar “em consonância. Além, é claro, dos préstimos que receberá a título de colaboração de seu próprio vice na Comissão de Meio Ambiente, o deputado Coronel Chrisóstomo, pesselista de Rondônia, notório amigão do peito de grileiro. Como se vê, tudo dominado.

Pra quem imaginou um circo dos horrores, é bom lembrar que o show nem começou. A expectativa que o tsunami pare na Comissão de Meio Ambiente do Senado, pilotada pelo petista Jaques Wagner.

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