A emergência na terra de Jair, o bárbaro

Emergencial: relativo à emergência. Que tem caráter de urgência, que não pode ser adiado. Situação crítica. Pelo idioma pátrio não há margem para dúvida ou dupla interpretação. Mas na terra de Jair Bolsonaro o termo adquire um caráter terraplanista.

Emergência 1

O chamado auxílio emergencial, também chamado de coronavoucher, foi instituído no ano passado para socorrer trabalhadores de baixa renda e informais, além de microempresários individuais em meio à pandemia da Covid 19. A última parcela, entre as nove concedidas, no valor de 300 reais, venceu em janeiro. De lá pra cá, os 67 milhões que foram contemplados tiveram que conviver com a promessa de repique.

No último dia 15, o Congresso promulgou a PEC Emergencial contendo o ajuste fiscal imposto pelo governo para liberar o novo auxílio. Mas a caneta de Jair só usou sua BIC de estimação 3 dias depois para sancionar a MP que rege a matéria. Serão 250 reais, em média, para 45 milhões de beneficiários, excluindo aí uns 10% da população brasileira antes incluída no programa.

Ah sim! a vultosa merreca, correspondente a menos de 1/3 da cesta básica, deverá começar a ser paga em abril.

Emergência 2

A reunião que deveria acontecer no último domingo, dia 21, para encontrar uma solução de emergência para a falta de medicamentos utilizados nos processo de intubação em UTIs , acabou indo pro espaço. Acertada na véspera, o encontro deveria reunir representantes do Ministério da Saúde, dos Conselhos Nacional de Saúde e de Secretarias Municipais, além de gente da indústria famacêutica.

Segundo a coluna de Mônica Bérgamo, a explicação dada pela Anvisa, que deveria promover a convocação, é que um e-mail chamando para a reunião não chegou aos participantes. Uma assistente da diretoria da Agência teria deixado de apertar o send nas mensagens.

Consta que o Ministério deixou de acerta a compra de sedativos, anestésicos e neurobloqueadores em agosto passado, quando já eram fortes os sinais de queda acelerada nos estoques.

Com a escassez, as esquipes médicas relatam que tem sido obrigados a utilizar alternativas farmacológicas de segunda e terceira linhas. O resultado tem sido aumento do sofrimento dos pacientes e no registro de óbitos.

Emergência 3

Secretários da Saúde reclamam da falta de comando na pasta ministerial. Isso como resultado de uma troca da guarda que foi posta no limbo. O general Pazuello, que sai, não apita nada, enquanto que Marcelo Queroga, escalado para assumir o posto,

A bem da verdade, não se pode dizer que a condição de acefalia do Ministério da Saúde seja novidade. Ela está presente desde que Pazuello lá aportou com sua tropa de ex-fardados. Mas já não há quem reclamar no ministério e os técnicos estão privados de dar um passo sequer.

Queiroga ainda não assumiu. Mas já recebeu uma missão de relevância histórica do capitão. E assim que for empossado pretende percorrer hospitais para checar se as UTIs estão mesmo congestionadas. Afinal é muita gente morrendo de Covid, não é mesmo?

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