Nas cordas, o capitão ataca as Forças

A segunda-feira amanheceu com a expectativa de capitulação do capitão ao abrir mão, por pressão do centrão, de Ernesto Araújo, símbolo maior dessa direita mais primitiva que se instalou no poder. Mas então Jair aparece para fazer um strike nas Forças Armadas.

Demite o ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, mirando a cabeça do comandante do Exército, Edson Pujol. O resultado dessa incursão pra cima das instituições de Estado vieram logo na manhã desta terça: os três comandantes militares demitem-se (a nota oficial fala em “decisão comunicada”, o que configura demissão), diante da persistência do capitão de cooptá-los para a arena política. Optaram em bloco pelo cumprimento de seu papel constitucional a embarcar em mais uma aventura política do capitão. Jair conseguiu algo inédito na República.

Mais: no jogo das cadeiras, sobrou ainda o advogado-geral da União, cujo posto volta a ser comandado por André Mendonça, que por sua vez, abre espaço na pasta da Justiça para o atual secretario de Justiça do DF, o delegado federal Anderson Torres. Para o lugar do nefasto Araújo, Bolsonaro escolheu seu chefe de cerimonial, Carlos Alberto França.

A manobra foi o suficiente para que a queda de Araújo virasse nota no noticiário, que mergulhou nos desdobramentos a que a escalada da crise pode levar. Ante-sala de um alto-golpe? Era tudo o que o capitão queria.

Os acontecimentos das últimas semanas funcionaram como aditivo na cabeça do capitão para o desencadeamento , de resto decantada com antecedência nas redes das milícias bolsonaristas. A começar pela tragédia sanitária, que escancarou o desastre de Pazuello e o embuste de Paulo Guedes na Economia, e sintetizados na Carta dos Economistas.

O aperto nas restrições de circulação das atividades comerciais impostas pelos governadores, que levaram Jair ao STF, sem que José Levi, o advogado-geral da União, subscrevesse a ação, que por isso acabou defenestrado. E, por último, a anulação dos processos de Lula na Vara de Curitiba por Edson Fachin — sobre a qual a falta de manifestação de repúdio tanto por parte da Defesa como do Exército das Forças teria sido a gota d´água.

Ainda que se tenha uma sucessão negociada nas Forças, o capitão deve seguir firme em seus propósitos golpistas, porque é da sua natureza. A tentativa de fazer passar o Pl de mobilização nacional, que confere a ampliação de poderes ao presidente em “situação de emergência em saúde pública” (entre outras, as PMs passariam ao controle presidencial) é só mais um indicativo.

Por seu lado, o centrão se deu bem: além da cabeça de Araújo, conseguiu firmar uma cabeça de ponte dentro do Planalto, com a conquista da secretaria de governo. E negocia pelo menos mais três pastas, entre elas, a de Meio Ambiente, do sinistro Ricardo Salles.

Então a partir de agora o universo ficcional do capitão: de um lado, a entrega total; de outro, a constante ameaça de vendaval. Cabe agora ao general Braga Neto, que que deixa a Casa Civil para assumir a Defesa, servir de anteparo ao comando de turno das Armas às investidas de Jair. A questão é: até quando vão sustenta-lo na cadeira?

O país registra recordes e recordes de mortos e infectados pela Covid. Esse foi o pior dia da pandemia, com o registro aterrorizante de 3668 óbitos.

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