A Pindorama dos mandrakes, tubarões e jacarés

Bolsonaro continua em sua cruzada pela disseminação da
Covid19. Dessa vez utilizou-se de seu braço avançado no STF, o ministro Kassio Nunes Marques. O indicado à Corte pelo capitão liberou no sábado liberou cultos, missas e quaisquer celebração religiosa, em meio à fase mais grave da pandemia e quando a maioria dos estados impõe medidas de isolamento mais severas para tentar conter o colapso da rede hospitalar.

Nunes acatou ação da Associação Nacional de Juristas Evangélicos, argumentando que decretos estaduais e municipais ferem o direito constitucional à liberdade religiosa. O magistrado não só decisão do próprio STF, que reconhece a corresponsabilidade entre os entes federativos na gestão da pandemia, como seu próprio entendimento acerca da ilegitimidade da Anajure como proponente de direito da ação.

Nessa segunda o ministro Gilmar Mendes refirmou veto a cultos religiosos em São Paulo, contra ação do PSD, que sob a mesma alegação investe contra o governo de São Paulo. E enviou a matéria ao plenário da Corte, que deve julga-la na quarta. O resultado deve registrar um vareio pró-veto. Mas não é isso o que interessa ao capitão. Ele quer contabilizar os dividendos junto ao eleitorado crente.

Por decreto Jair é o coordenador de uma peça ficcional chamada Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19.

Madeira!

Na seara ambiental, sob o domínio do capitão, o sinistro Ricardo Salles diz que deve haver gato na investigação que culminou com maior apreensão de madeira da história do país. A ação, empreendida, no final do ano passado, na divisa dos estados do Pará e Amazonas, supera os 200 mil metros cúbicos de madeira de origem criminosa, segundo o chefe da PF amazonense, Alexandre Saraiva.

Em entrevista à Folha, Saraiva diz que é “a primeira vez que vê um ministro do Meio ambiente se manifestar contra uma ação que visa proteger a floresta amazônica. Ao Estadão, o sinistro Salles havia dito que “a PF está criando instabilidade jurídica”. E do jeito que as coisas vão a “as madeireiras quebram”.

“Ou a gente faz um país baseado na lei ou faz baseado no crime. Se a lei está incomodando, muda-se a lei”, rebateu Saraiva, que aproveita pra dizer que na “PF a boiada não vai passa”.

Salles acaba de pedir 1 bilhão de dólares ao governo americano para poder combater o desmatamento na Amazônia. Poderia explicar se nesse bolo há um percentual alocado de proteção contra a quebra das madeireiras.

Mea culpa?

O banqueiro Ricardo Lacerda diz á Folha que a elite empresarial brasileira precisa fazer um mea culpa. “Comprou o discurso liberal do Bolsonaro, ainda que seu comportamento em três décadas de Congresso tenha sido exatamente o oposto.” Só não disse se foi por miopia ou conveniência. Mais: “Na ânsia de evitar o PT, muita gente séria acabou votando em Bolsonaro ainda no primeiro turno. Está aí a origem do desastre que vivemos.”

Para ele o impeachment não é caminho, “até para a população ter consciência do custo de uma escolha errada. E assim chegamos aos vários andares abaixo da turma que deveria fazer um mea culpa.

Cético em relação a seus pares da elite financeira e empresarial, Lacerda não põe muita fé numa terceira via para 2022. E no caso de nova polarização Lula x Bolsonaro, diz que “se sobrarem essas duas opções, teremos que avaliar como chegarão até lá, quais suas sinalizações, seus compromissos em direção ao centro.”

Pelo jeito o banqueiro, filiado ao Novo, ainda considera o risco de uma continuidade do desastre.


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