Bolsonaro de pires na mão e 65 mil toras entaladas

Em carta endereçada a Joe Biden, nesta semana, Bolsonaro se compromete a eliminar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. Diz o capitão: “Reitero o compromisso do Brasil e do meu governo com os esforços internacionais de proteção do meio ambiente, combate à mudança do clima e promoção do desenvolvimento sustentável. Teremos enorme satisfação em trabalhar com V. Excelência em todos esses objetivos comuns.”

De saída chamam a atenção termos como “desmatamento ilegal”, pelos quais ele assume compromisso – algo inédito na cartilha seguida por Jair e seus asseclas. Outro é o verbo utilizado para o acordo: “reitero”, algo de resto tão falacioso quanto suas premissas e sua própria existência na cadeira presidencial.

Mais: no documento de sete páginas, Bolsonaro indica que pode zerar até 2050 as emissões de CO2 a fim de alcançar a neutralidade climática, antecipando em uma década o acordo assumido anteriormente, como já preconizado por Angela Merkel e outros países europeus. Uau!

Só que para isso o capitão já não fala mais em soberania nacional e a cobiça internacional pela Amazônia. Mas para isso adianta que uma que vai precisar de “adequado apoio da comunidade internacional, na escala, volume e velocidade compatíveis” com a empreitada.

No início do mês Ricardo Salles já havia acenado com o tamanho da fatura: 1 bilhão de dólares em um ano para reduzir de 30 a 40% do desmatamento, que atinge níveis indecentes sob sua gestão. Sobre o plano de ação para alcançar tal feito não se tem a mais remota ideia. Como o vice Hamilton Mourão refere-se a Salles como “economicista, de visão correta das coisas”, ficamos nas expectativa de saber que tipo de negócios o sinistro Salles planeja com 1 bilhão de dólares nas mãos.

Voltando o plano real, a Associação de Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nesta sexta (16/4) nota oficial registra que “é inadmissível integrantes do Governo Federal ou parlamentares exerçam pressão sobre a PF.” A carta é publicada um dia depois. Alexandre Saraiva, ter sido afastado do cargo de superintendente da PF no Amazonas.

Na véspera Saraiva havia entrado com notícia-crime contra Salles, por constituir organização criminosa, obstruir investigação de extração ilegal de madeira e advogar em favor de interesses privados. Entraram na dança ainda o senador Telmário Mota (PEOS-RR) e o presidente do Ibama Eduardo Bim.

Com esses predicados Bolsonaro e sua trupe se apresentam na Cúpula do Clima, no próximo dia 22: de pires na mão e 65 mil tortas entaladas em suas instâncias inferiores.

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