Desafios do clima e o clima de horror

Em balanço sobre a Cúpula de Líderes sobre o Clima, realizada na semana passada por iniciativa de Joe Biden, a Folha, em seu editorial deste domingo (25/4), classificou a reunião de “morna”. Isso porque os avanços vieram em forma de “promessas”, incluindo as feitas por Bolsonaro — mas essa é uma história à parte. “Pouco de concreto”, registra o jornal, embora não tenha “caminhado para trás”.

A expectativa não era para ir mesmo além disso. Previa-se um esquenta para a COP 26 a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática 2021, programada para Glasgow, na Escócia, de 1 a 12 de novembro próximo. O evento não só serviu para destacar o retorno dos EUA ao Acordo de Paris, depois da ruína negacionista da administração trumpista, como marcar o início de uma nova ordem rumo a uma economia de baixo carbono como preconizada por cientistas e ambientalistas.

Ainda que alguns dos maiores poluidores do planeta, como China e Índia, tenham reafirmado investimentos em tecnologias limpas e se comprometido com metas apenas factíveis para 2030, os EUA com Biden foram além e decidiram até lá cortar pela metade as emissões de carbono com que Barak Obama havia se comprometido em 2015. Mas isso é só uma porta de entrada um mundo regido pela lógica da energias renováveis e métodos de produção e consumo sustentáveis. E isso significa mexer com todo o parque industrial automotivo, por exemplo, da linha de montagem aos meios que utilizamos para locomoção.

A iniciativa faz parte de um plano desenvolvimentista que chega à casa dos trilhões de dólares, que visa uma verdadeira revolução na economia e na política americanos. Anunciado no final de março pelo presidente americano, o projeto prevê uma injeção de 250 bilhões de dólares ao longo dos próximos oito anos, em um total de 2 trilhões de dólares, destinados a reconstruir a infraestrutura americana e garantir as condições para enfrentar o grande desafio do século, que é o de limitar a temperatura média do planeta a um patamar inferior a 1, 5o C pelas próximas décadas. Estão previstos investimentos pesados ainda em saúde, educação, ciência e tecnologia, formação profissional e sistemas habitacionais sustentáveis.

Pelo plano o Estado assume o papel de protagonista como indutor do crescimento e os recursos virão de aumento dos imposto empresarial. Em troca as empresas terão os benefícios da girando de acordo com novo diapasão. Biden diz que o projeto é grande e ousado, mas que os americanos podem realizá-lo, com um olho no futuro e outro nos chineses. Segundo ele, recolocar a economia americana nos trilhos, vai “promover a segurança nacional e decidir a concorrência global com os China nos próximos anos.”

Quanto à participação Bolsonaro, o previsível: reafirmou a sua condição de pária diante do mundo. Em 7 minutos de leitura de um texto em que tropeça nas palavras e lhe foge a compreensão, Jair apoiou-se em iniciativas de outras administrações que credenciaram o País como protagonista da agenda climática, mentiu descaradamente sobre ações que tem tomado no combate às mudanças climáticas a acenou com metas que com zero chance de cumprir (como eliminar o desmatamento ilegal da floresta até 2030), contrariando as manchetes que apontam as atrocidades de sua gestão na área ambiental.

O arcabouço da patifaria teve um só sentido: exigir recursos, segundo ele, “justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação.”

John Kerry, enviado especial para o Clima dos EUA, reagiu positivamente ao discurso, de acordo com o da boa vizinhança protocolo, alertando que espera mediadas concretas. O mundo sabe que elas não virão e Jair terá a justificativa para seguir com sua política predatória sobrea Amazônia. Diante dos desafios do clima, Jair continuará investindo no clima de horror. Até que seja catapultado da cadeira.

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