Os aliados do vírus

A semana fecha com o comando da CPI da Covid entabulando dados e requerimentos para o pontapé inicial na terça-feira, com a convocação de ex-ministros da Saúde. A voz mais aguardada na Comissão, na quarta-feira, é a do diligente servo general Pazuello, que muito tem a contribuir sobre o emprego de sua bagagem logística à frente da pasta. “Só devem se preocupar os aliados do vírus”, provocou o relator Renan Calheiros, depois de lembrar em sua fala inaugural de posse da relatoria que crimes contra a humanidade não prescrevem. Dado o apego a crenças e práticas de bolsonegacionistas da pandemia que acabaram por selar essa aliança, dá para imaginar o strike que um processo bem conduzido pode causar nas fileiras do capitão.

Desde que o Supremo determinou a instalação da comissão vigora um clima de barata voa na base governista, acentuado pelos sinais emitidos pela trinca de frente da CPI (além de Renan, Omar Aziz, na presidência, e Randolfe Rodrigues, na vice). Em minoria, confrontada com 400 mil mortos empilhados e o colapso na rede hospitalar, e acéfala na condução dos trabalhos, a tropa de choque bolsonarista no colegiado abusou de expedientes para tentar esvaziar a comissão — e eventualmente estabelecer um ambiente caótico, marca registrada do capitão. A principal delas foi a insistência com que se dedicou ao longo da semana a retirar, por medida judicial, Renan da relatoria. Claro, Jair perde todas. E foi bater na porta de José Sarney pra atras de um porto seguro contra as investidas de Renan.

Curioso é que até aqui as maiores contribuições à CPI partiram do próprio Palácio do Planalto. Primeiro com o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajgarten, que em entrevista à Veja pôs a cabeça de Pazuello a prêmio ao acusá-lo de incompetência e responsabilizá-lo por travar as negociações com a Pfizer para a compra de 70 milhões de doses de vacina no ano passado. Em seguida, a título de blindar os domínios do capitão, a Casa Civil, comandada pelo general Luiz Eduardo Ramos, elaborou um guia de defesa interministerial, listando as principais 23 acusações feitas contra seu governo na condução da pandemia.

Em síntese, formalizou um documento de autoconfissão com todas as atrocidades cometidas por Jair e seus asseclas. O general Ramos é o mesmo que em uma reunião interna expressou seu temor pela morte e por confessou ter se vacinado às escondidas de seu chefe.

Com estrategistas do quilate da trupe palaciana vírus algum precisa de aliança pra se propagar.

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