Cientistas alertam para o “agrosuicídio” na Amazônia

A última do front ambiental e a previsão sobre a política da devastação posta em prática pelo governo Bolsonaro. O agronegócio poderá acusar perdas de até 1 bilhão de dólares ao ano até meados do século, caso persista o índice de desmatamento na Amazônia registrado atualmente.

Quanto maior o grau de desmatamento, menor é a capacidade do bioma regular o padrão de chuvas, o que obviamente compromete os sistemas de produção agrícola. A conclusão faz parte de um estudo desenvolvido por cientistas do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com a Universidade de Bonn, na Alemanha, e a Universidade de Viçosa, também de Minas.

Publicada nesta segunda (10) pela revista científica Nature Communications, a pesquisa aponta que a falta de chuva já observada na parte sul da Amazônia provocado pelo desmatamento desenfreado já acarreta perda de produtividade e receita ao agronegócio, que o capitão e seus asseclas dizem defender.

Argemiro Teixeira Leite Filho, engenheiro florestal responsável pela coordenação do estudo e mestre em Meteorologia Aplicada, em entrevista à Globonews, fala em “agrosuicídio” o que está ocorrendo hoje na Amazônia, embora o processo passe ao largo da percepção dos produtores. “Da forma que o desmatamento vem avançando, não conseguimos manter o sistema produtivo na Amazônia da forma com que ele vem crescendo ao longo do tempo, ou seja: é uma situação autodestrutiva”, disse ele.

O estudo levou três para ser concluído e tomou por base o aumento do desmatamento relacionado ao regime de chuvas na região por um período de duas décadas, que vai de 1999 a 2019. E o resultado obtido é significativamente alarmante. A cada acréscimo de 10% da derrubada da floresta há uma queda de quase 50 mm de precipitação ao ano. Há dois anos a parte sul da Amazônia, incluindo seis estados já havia registrado níveis críticos no limite de redução de chuvas decorrentes do desmatamento, que já chega a comprometer até 48% do volume total, em certas regiões.

Postas em perspectiva as projeções de perda para os principais itens da produção agrícola pode alcançar níveis colossais até 2050, caso não haja na política ambiental. Para ter uma ideia, segundo esses cálculos, a produção de soja perderia até 5,6 bilhões de dólares. E a de carne, nada menos que 180 bilhões de dólares em trinta anos. “O combate do desmatamento da Amazônia precisa ser considerado uma política nacional, mas não somente ambiental: ele também é uma política a favor do agronegócio“, alerta Leite.

Só para lembrar: 1 bilhão de dólares é o tanto que o sinistro Ricardo Salles quer dos EUA ao ano para reduzir em 40% o desmatamento na floresta.

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