Terra e a ideologia das sombras

O depoimento do deputado Osmar Terra (MDB – RS) na CPI da Covid, nesta terça (22), pode é um retrato acabado do que vem a ser o negacionismo bolsonarista. Claro, com todos os ingredientes que caracterizam essa vertente do obscurantismo mundial: desfaçatez, má-fé, ignorância. Alguém já se perguntou se esse médico/ideólogo das sombras formula as teses de acordo com os interesses do capitão ou se este as molda de acordo com seus interesses. Certamente uma ideia se alimenta de outra.

Diante dos vídeos de suas previsões e entrevistas apresentados ao plenário, nos quais negava o poder de letalidade da doença, disse repetidamente que se guiava pelos dados que dispunha à época. O “à época” que ele se refere prolongou-se desde o reconhecimento do estado de pandemia pela OMS ao ponto em que o país já registrava centenas de milhares de óbitos.

Defensor de tratamento precoce e detrator das medidas de isolamento, Terra disse à certa altura do depoimento tratar-se de “ficção” a existência um gabinete paralelo, que traçava as (in)ações do governo frente à pandemia – e sob sua suposta liderança — e que nunca tratou de imunidade de rebanho como “estratégia” de combate. Segundo ele, sus teses são apenas opiniões pessoais. “O presidente julga as coisas do jeito que ele quer. Ele não é teleguiado por ninguém. Ele vê, aceita uma informação, s ele acha que está certo.”

Segundo Terra, o (des)governo de Jair seria um Clube do Bolinha, em que cada um dá uma ideia que é seguida pelo chefinho caso lhe dê na veneta. Não importa se se trata de tema de segurança nacional ou emergência sanitária de consequências trágicas.

Na terra da negação ilusionista de Terras e Bolsonaros, a realidade aponta para a perda de mais de meio milhão de vidas pelo mal, oficialmente. E um índice de contágio crescente de 1,13, bem próxima à de março, que resultou a seguir no momento mais letal da doença no país.

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