Sob o domínio do mal

Um total de seis mil quatrocentas e dezesseis pessoas foram mortas por forças de segurança no ano passado. O acréscimo foi registrado em nada menos que 18 das 27 unidades da federação, dado que aponta para um aumento generalizado de mortes por ação policial país afora.

Os números fazem parte de levantamento produzido pelo Forum Brasileiro de Segurança Público e divulgado nesta quinta-feira (15). Em oito anos, desde o lançamento, o aumento de casos dessa natureza aumentou 190%.

Dentre as vítimas, 78,9% eram negros. O que confirma a eliminação seletiva por agentes de segurança como a que temos acompanhado cotidianamente pela mídia. Mas o mapa da barbárie não termina aí. No curso de 2020, mais da metade (53%) dos estupros registrados foram cometidos contra meninas menores de 13 anos. Como destaca o relatório, isso corresponde a um caso a cada 15 minutos. E com um detalhe: o crime, em 85% dos casos, são praticados dentro de casa, ou seja, por conhecidos das vítimas.

A violência sexual, ainda que tenha sido registrado um certo freio nos ataques (diminuição de 14%), atingiu a marca de 60 mil escabrosos casos. Bem feitas as contas são 5 mil ao mês.

Esse cenário obsceno tem como o acesso às armas turbinado pelo governo do capitão. Números de dezembro indicam a existência de pouco mais de 2 milhões de armas legais (vejam bem, legais!) particulares em circulação. Uma para cada 100 brasileiros, incluídos aí civis sem porte específico, colecionadores, caçadores, atletas do tiro esportivo, além do pessoal cadastrado em nome de empresas.

Pelo sistema de registro da Polícia Federal, só entre esses grupos o número de armas chegou perto do dobro nos últimos três anos. Alguma correlação entre os diversos dados desse mal crônico que assola o país? O óbvio. “Estudos científicos sérios mostram que quanto mais armas têm na preponderância de uma população mais violência nós vamos ter. Tanto de acidentes quanto de crimes contra a vida.”, diz Rafael Alcapadini, pesquisador do PBSP.

E daí é pra pior, como ele diz. “Porque governos usam “muito pouco a inteligência e muito a violência, além do “enfrentamento desmedido”. Bom, resquício de inteligência , no quadro brasileiro atual, nenhum mesmo. Aplicado aos diversos setores da vida nacional o recorte dá bem a dimensão da regressão civilizatória que vivemos sob Bolsonaro.

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