A floresta agoniza

Enquanto o país celebrava as festas juninas, distante das fogueiras por conta das restrições sanitárias, a motosserra comia solta na Amazônia. Em junho passado, foram desmatados nada menos que 926 km2, área correspondente à cidade de Fortaleza multiplicada por três.

São dados do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que monitora a floresta por meio dos radares do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), desenvolvido pelo próprio instituto. Por ele foram registrados um total de 8.381 km2, ceifados no período que vai de agosto de 2020 a junho do 2021. São 51% a mais que no ano anterior.

É o pior desmatamento na última década registrado em apenas seis meses, apontam pesquisadores do Imazon. Um índice que confirma os registros obtidos em março, abril e maio, como os mais devastadores dos últimos dez anos, e, o que é pior, prenuncia um recrudescimento da situação.

Evidentemente, as marcas desta tragédia, como em outras áreas desta administração, guardam relação direta com a ação negacionista e predatória empreendidas por inspiração do capitão. Assim, o desmatamento acelerado, facilmente verificável, é resultado direto do desmonte da legislação e dos órgãos de fiscalização, além do erguimento de barreiras burocráticas, que fizeram com que as multas aplicadas por crimes ambientais, por exemplo, caíssem a quase zero.

As 688 multas aplicadas e quitadas, no período de 2014-18, foram reduzidas a míseras 13 pagas. Um quadro que traduz o justo incentivo a madeireiros, grileiros e mineradores via a certeza da impunidade.

Estudo divulgado na semana passada pela revista Nature, sob a liderança de uma pesquisadora do Instituto de Pesquisas Espaciais, vai além: partes consideráveis da floresta estão emitindo mais CO2 do que sua capacidade de absorvê-lo, devido ao desmatamento e às queimadas. Sim, a Amazônia transformou-se em uma fonte de carbono, aponta Vanni Gatti, autora do estudo.

Esse cenário catastrófico e os dados que o cercam, ainda não analisados em toda sua dimensão, não terminam aí. O legado destruidor de Bolsonaro levará anos e anos até que possa ser revertido, ainda que ele possa ser catapultado do Planalto em 22.

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