Ameaça de morte a quem defende direitos de igualdade

Vivemos um abismo civilizatório e esgarçamento das instituições de maneira acelerada – hipótese impensável desde a redemocratização do país. Esse legado bolsonarista aprofunda-se dia a dia no substrato social e político, com desdobramentos que só poderão ser melhor avaliados no tempo e espaço.

E levará um bom tempo até que a sociedade brasileira possa se recompor ética e moralmente, frente aos persistentes ataques ao estado democrático de direito e aos direitos humanos. Não importa quanto tempo leve para que Bolsonaro seja removido da cadeira presidencial.  

Certos episódios, porém, saltam aos olhos a justamente por expor a dimensão esse abismo, ainda que não alcancem a devida visibilidade midiática. Os ataques à vereadora do PV e vice-presidente da Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete, Damires Rinarlly compõem esse cenário de anormalidade.

Desde que teve aprovado projeto de lei de sua autoria, que garante direitos de transexuais e travestis, passou a sofrer perseguições e ameaças de morte pelas redes sociais. Aos 25 anos e única mulher parlamentar da Câmara, Damires é reconhecida por seus projetos dirigidos à defesa dos direitos da mulher e apoio a vítimas de violência doméstica.

“Sempre fiz políticas públicas para todos e todas sem deixar de, em nenhum momento, observar toda a nossa população. É diante disto que eu vou continuar resistindo, vou continuar ecoando todas as vozes que confiaram em mim para eu estar hoje como vereadora”, compartilhou pelo Twitter, ao relatar as ameaças.

Em determinado áudio via whatsapp, o autor, identificado como ex-candidato a vereador da cidade, diz textualmente: “Essa raça tem que morrer”, em referência a ela e aos segmentos por ela defendidos.

Não se trata de algo pontual. Esse tipo de manifestação tem proliferado cotidianamente por diversos setores espalhado a vida do país. É resultado dessa política de culto ao ódio e da política de demolição que se instalou no Planalto. O caso está sob investigação da Polícia Civil e mercê punição exemplar. Mas é preciso que a Câmara Municipal de Lafaiete assim como as diversas instâncias políticas mineiras tomem posição. E a sociedade brasileira reaja para estancar crimes dessa de aberração.

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