Sítio Burle Marx, patrimônio mundial

A partir de agora, o Sítio Roberto Burle Marx faz parte do Patrimônio Mundial. Nesta terça (27), o exuberante espaço criado pelo mais importante paisagista brasileiro recebeu a distinção da Unesco, na categoria paisagismo, durante a 44ª. sessão de seu Comitê de Patrimônio, reunido na cidade de Fuzhou, na China.

Localizado em Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro, o sítio estende-se por uma área de cerca de 400 mil metros quadrados de vegetação nativa e abriga 3,5 mil espécies tropicais, muitas representadas por exemplares únicos no mundo e em vias de extinção.

Museu-Casa do Sítio Burle Marx, em Guaratiba, Rio de Janeiro

O lugar começou a tomar forma atual em 1949, quando Burle Marx adquiriu a propriedade original, então chamada Sítio Santo Antônio da Bica, onde havia o casarão – mais tarde reformado para abrigar o Museu-Casa de Burle Marx –, e uma capela do século 17.

Posteriormente, com a aquisição de áreas vizinhas, compôs um cenário que conjuga paisagismo e biodiversidade, em meio a manguezais, restinga e Mata Atlântica.

Transformado em laboratório a céu aberto, ali Burle Marx viveu a partir de 1973, onde impulsionou suas experiências botânicas e paisagísticas, até sua morte, em 1994. Em 1985, doou o Sítio ao governo federal para que houvesse a continuidade das pesquisas e o livre acesso da sociedade aos conhecimentos obtidos. Hoje sua gestão é de responsabilidade do Iphan –Instituto do Patrimônio Artístico Nacional

Além da verdadeira joia patrimônio natural, o sítio abriga em seu museu um acervo com mais de 3 mil peças, de origem pré-colombiana, cusquenha, sacra e popular brasileira, a coleção de obras do próprio artista e outros objetos de arte e artesanais que ele garimpou ao longo de sua vida.

Precursor do moderno paisagismo tropical e ambientalista pioneiro, o paulista Roberto Burle Marx dedicou-se ainda à pintura, à escultura, ao design e à tapeçaria.

Uma série de outras obras de renome no Brasil e no Exterior levam sua assinatura. Entre elas, os Jardins do Complexo da Pampulha, o Aterro do Flamengo, os Jardins do Museu de Arte Moderna do Rio, a trama do Calçadão de Copacabana e os Jardins da própria sede da Unesco, em Paris.

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