Fogo na Cinemateca – crime arquitetado

Mais do que anunciada, trata-se de uma tragédia premeditada. O incêndio que consumiu parte da subsede da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, é a consumação de um crime arquitetado contra a cultura nacional. Desde o último dia de 2019, quando o Ministério da Educação rompeu o contrato de gestão da Cinemateca com a Associação de Comunicação Educativa, todo o acervo do cinema brasileiro foi exposto deliberadamente a risco.

Latas de filme atingidos pelo incêndio na Cinemateca/Imagem Bombeiros-SP

De nada adiantou a ação do Ministério Público contra o governo federal por abandono administrativo, assim como os alertas do próprio MPF e de toda a comunidade cultural. Assim, este incêndio é a tradução da índole do governo Bolsonaro, de seu desprezo pela cultura, pela história e aos valores da nação brasileira. O fogo que destruiu parte do acervo cinematográfico brasileiro é o mesmo que consome diariamente as matas da Amazônia e do Pantanal.

Ainda não é possível avaliar as perdas, com certeza expressivas. Os galpões atingidos abrigam cerca de 2 mil cópias de filmes, a maioria registros históricos doa anos 20, equipamentos, roteiros, documentos e uma série de outros itens de memorabilia destinada a compor o futuro Museu do Cinema.

A sede principal da CB, localizada em edifício centenário tombada pelo Condephaat, e que originalmente abrigava o Matadouro Municipal de São Paulo, corre o mesmo o risco, ocasionado por abandono – trata-se simplesmente do maior acervo de imagens em movimento da América Latina e um dos mais importantes do planeta.  

Apaga-se a memória, extirpa-se o que há de mais genuíno na alma de seu povo. Essa é a vocação de negacionistas governos desprezíveis como o de Bolsonaro e de seus reles estafetas.

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